‘Bebê Rena’ de SC: stalker aparece de ‘mala e cuia’ na casa de empresário em Itapema

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O empresário Leandro Lucas Gallas, de Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, registrou um boletim de ocorrência por perseguição neste domingo (12) após uma mulher que ele afirma nunca ter conhecido pessoalmente aparecer na porta de sua empresa acompanhada de uma criança.

O caso se arrasta há quase dois anos e guarda semelhanças com a série “Bebê Rena”, da Netflix, que retrata a história real de um homem perseguido por uma mulher obcecada.

Conforme o boletim registrado junto à Polícia Militar de Santa Catarina, a ocorrência foi classificada como “contra a pessoa, perseguição”, lavrado às 13h10 deste domingo.

Gallas é dono da Marina Jet Life, empresa do setor náutico em Itapema, e ficou conhecido nacionalmente em 2024 por organizar a arrecadação de mais de mil toneladas de alimentos para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, além de viralizar em 2025 com vídeos do cão Bastião.

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Perseguição começou durante enchentes do RS

O empresário expôs a situação em uma série de stories em seu perfil no Instagram neste domingo. Segundo o relato, a perseguição começou em maio de 2024, durante o período em que ele estava no Rio Grande do Sul auxiliando vítimas da tragédia climática. Na ocasião, a mulher teria enviado mensagens elogiando o trabalho voluntário e oferecendo ajuda. Gallas afirma que respondia a todos que entravam em contato naquele período.

Com o tempo, segundo o empresário, as mensagens passaram a ter conotação amorosa. A mulher teria passado a declarar que estava apaixonada por ele e que alimentava esperanças de um relacionamento. “Eu falei: ‘Cara, eu não estou entendendo o que você está falando. Não te conheço, não sei quem você é, nunca vi você na minha vida'”, relatou Gallas nos stories.

Mais de 10 bloqueios e a perseguição não parava

A partir desse ponto, conforme o empresário, a situação se tornou perturbadora. A mulher teria criado múltiplos perfis em redes sociais e usado diferentes números de telefone para manter contato. Gallas afirma ter bloqueado a mulher em pelo menos dez contas de Instagram, diversos números de WhatsApp e também por SMS, sem que as mensagens cessassem.

Print de conversa entre empresário e stalker
Prints publicados pelo empresário mostram mensagens enviadas pela mulher ao longo de meses | Foto: Reprodução/Instagram

O empresário relata que a mulher chegou a afirmar que ele mantinha um “perfil fake” para se comunicar com ela e que seria “amoroso” nessas supostas conversas. “Eu falei: ‘Que fake, menina? Tu está louca? Eu não tenho fake nenhum'”, narrou. As mensagens, segundo ele, incluíam declarações como “te amo vida”, “deixa eu ouvir sua voz” e “preciso do seu abraço”, todas enviadas de forma unilateral e sem qualquer reciprocidade.

Print de conversa WhatsApp entre empresário e stalker
Em uma das conversas, a mulher escreveu: “Preciso do seu abraço, de ti” | Foto: Reprodução/Instagram

Prints publicados pelo empresário mostram conversas em que ele pede repetidamente para que a mulher pare de enviar mensagens. Em uma delas, ele escreve: “Eu não tenho fake, eu não sei quem você é, eu nunca vi o teu perfil, eu nunca vi uma foto sua, não faço a mínima ideia das coisas que você está falando”. Em outra, a mulher responde: “Sou fora da casinha por amar sem conhecer, por falar em vez de esconder”.

Print de conversa mostra mulher admitindo perseguição
A mulher admitiu: “Sou fora da casinha por amar sem conhecer” | Foto: Reprodução/Instagram

Gallas também afirma que a perseguição interferiu em sua vida pessoal. Segundo ele, a mulher ligava de madrugada em momentos em que ele estava com uma namorada, obrigando-o a explicar a situação. “Acordava de madrugada essa mulher brigando, aí tinha que explicar o que estava acontecendo, mostrar, provar”, contou.

Ele também compartilhou um print no qual enviou à mulher a localização do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Itajaí, sugerindo que ela procurasse ajuda.

Print mostra empresário enviando localização do CAPS para stalker
Em uma das mensagens, o empresário chegou a enviar a localização do CAPS de Itajaí | Foto: Reprodução/Instagram

Mulher apareceu na empresa com criança e malas

O episódio mais grave ocorreu neste domingo (12). Segundo Gallas, ele estava dormindo quando um vizinho o avisou de que a mulher havia chegado à Marina, sua empresa, acompanhada de uma criança e com malas. O empresário relata que, ao sair na sacada, a criança o abordou e perguntou se era ele “que fala com a minha mãe”.

Conforme o relato, a criança teria ficado por cerca de 40 minutos em frente à residência do empresário, batendo palma e gritando seu nome, enquanto a mulher transitava entre a Marina e a frente da casa. “Ele tentou abrir a porta da minha casa. Eu estou dormindo e se eu reajo de alguma forma, imagina a merda que dá”, disse Gallas, preocupado com as consequências da situação.

O empresário acionou a polícia imediatamente, além de contatar amigos policiais e a Guarda Municipal, mas a mulher deixou o local em um carro de aplicativo antes da chegada das viaturas. Imagens de câmeras de segurança registraram a presença da mulher e sua partida. A permanência dela no local teria sido de aproximadamente 45 minutos, entre 12h30 e 13h15.

Print de conversa no Instagram mostra perseguição
Em outra conversa, a mulher pedia para o empresário “dar uma chance” | Foto: Reprodução/Instagram

Stalking é crime com pena de até 2 anos

Gallas afirmou que pretende buscar uma medida judicial de afastamento, embora tenha mencionado que a legislação sobre medidas protetivas seja mais comum em casos envolvendo violência contra a mulher.

O caso se enquadra no artigo 147-A do Código Penal, incluído pela Lei 14.132/2021, que tipificou o crime de stalking no Brasil. A pena prevista é de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa. O crime é definido como perseguição reiterada que ameace a integridade física ou psicológica da vítima, restrinja sua capacidade de locomoção ou perturbe sua esfera de liberdade e privacidade.

A série “Bebê Rena”, da Netflix, que estreou em abril de 2024 e se tornou um fenômeno mundial com mais de 56 milhões de espectadores, retrata justamente um caso semelhante: o comediante Richard Gadd foi perseguido por uma mulher durante quatro anos, recebendo mais de 41 mil e-mails e 350 horas de mensagens de voz. A produção ampliou o debate sobre perseguição obsessiva, especialmente quando a vítima é homem, situação frequentemente subestimada pela sociedade. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que foram registrados mais de 95 mil casos de stalking contra mulheres em 2024, com crescimento de 18,2%, mas os números de vítimas masculinas permanecem subnotificados.

Gallas fez questão de reforçar que a exposição pública do caso tem o objetivo de comprovar que a situação é real. “Muita gente dizia que eu estava inventando, que uma história dessa era mentira. Eu estou expondo justamente porque é doentio. São dois anos de uma pessoa me perseguindo e que nunca me viu na vida”, declarou.

Gallas informou que vai buscar medidas judiciais para garantir o afastamento da mulher.

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