Um detento de 31 anos foi morto dentro da própria cela no Presídio Regional de Araranguá, no Sul de Santa Catarina, na noite de sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026. O crime ocorreu por volta das 19h30 e, segundo as primeiras informações confirmadas pela Secretaria de Estado da Justiça e Reintegração Social, teria sido cometido por um colega de cela.
Ele foi identificado como Ramon de Oliveira Machado, natural de Sombrio (SC). Conforme a Sejuri, policiais penais perceberam a situação dentro da galeria e acionaram o Samu, que esteve no local, mas apenas pôde constatar o óbito. A Polícia Civil e a Polícia Científica foram chamadas para realizar os procedimentos legais e iniciar a apuração do caso.
De acordo com relatos preliminares divulgadas até o momento, o interno teria sido atingido com perfurações provocadas por objeto perfurante. O instrumento utilizado ainda não foi oficialmente detalhado. Um dos colegas de cela teria assumido a autoria do crime, informação que deve ser confirmada ao longo das investigações.
O caso chama atenção porque o mesmo detento já havia se envolvido em um episódio violento dentro da unidade prisional pouco mais de dois anos antes.
Documentos do processo de execução penal mostram que, em 22 de dezembro de 2023, houve uma confusão na Galeria B do presídio. Na ocasião, outro interno foi encontrado com lesões nas costas e um corte profundo no rosto. Após análise de câmeras de segurança e apuração administrativa, ficou registrado que Ramon havia entrado em vias de fato com o colega.
Testemunhos colhidos à época apontaram que a briga teria começado após uma discussão banal envolvendo uma laranja. Segundo os relatos anexados ao processo, durante o desentendimento o detento teria utilizado uma colher transformada em “faca” com ponta para agredir o outro interno. O laudo pericial confirmou ‘ofensa à integridade corporal’ da vítima.
Em razão do episódio, foi instaurado procedimento disciplinar interno. A falta foi considerada grave, resultando em regressão de regime, conforme decisão confirmada pelo Jornal Razão. Mais recentemente, a partir de metade do ano de 2025, ele voltou a ter direito a ‘saidinha temporária’. Ramon estava preso há mais de 2 mil dias por dezenas de passagens policiais, sobretudo por furto e receptação.
Em nota oficial, a Sejuri informou que todas as medidas previstas em protocolo foram adotadas e que foi instaurado procedimento administrativo interno para apurar rigorosamente os fatos, em colaboração com a Polícia Civil.
A motivação do homicídio ainda é tratada como preliminar e, conforme informado pelas autoridades, pode estar ligada a uma desavença entre internos. A investigação segue para esclarecer as circunstâncias exatas do crime, a dinâmica do ataque e eventual participação de outros detentos.

