Master e INSS: deputado de SC defende o STF e acusa “vazamento criminoso” de informações

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O deputado federal Pedro Uczai (PT/SC) usou as redes sociais para reagir à declaração do jornalista Fernando Gabeira, que afirmou ao vivo na GloboNews, na última sexta-feira (6), que o Supremo Tribunal Federal “deveria acabar”. Em vídeo publicado no Instagram, o parlamentar catarinense classificou a fala como um “discurso de ruptura contra a ordem constitucional” e traçou um paralelo direto entre o momento político atual e os métodos utilizados durante a Operação Lava Jato.

Uczai, que está no quarto mandato na Câmara dos Deputados e atualmente coordena o Fórum Parlamentar Catarinense, cunhou o termo “neolavajatismo” para descrever o que considera um roteiro político em andamento. Segundo o deputado, o método consiste em vazamentos fragmentados de informações sigilosas, construção de suspeitas sem provas e uso dessas narrativas para atacar reputações e propor a abolição de instituições democráticas.

O parlamentar citou três episódios recentes como exemplo do que denuncia. O primeiro é a divulgação de dados bancários do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, obtidos após quebra de sigilo autorizada no âmbito da CPMI do INSS. A defesa do filho do presidente classificou o episódio como “vazamento seletivo e criminoso” de informações protegidas por sigilo. O segundo é a exposição de conversas privadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e sua ex-noiva, a influenciadora Martha Graeff. As mensagens, extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, foram parar nas redes sociais sem relação direta com os crimes investigados. O ministro Gilmar Mendes, do STF, chamou o episódio de “barbárie institucional”. O terceiro ponto levantado por Uczai é a divulgação da foto de cadastro carcerário de Vorcaro, o que o deputado classifica como práticas que remetem aos “momentos mais abusivos da Lava Jato”.

Na avaliação do deputado, é desse ambiente contaminado por vazamentos e espetacularização que nascem discursos como o de Gabeira. Uczai argumenta que o caminho segue uma lógica encadeada: vazamento seletivo produz indignação pública, a indignação alimenta especulação, a especulação se transforma em acusação e a acusação desemboca em propostas radicais como dissolver o STF. O parlamentar lembrou que, na história brasileira, ministros do Supremo só foram afastados à força por atos institucionais da ditadura militar, regime do qual o próprio Gabeira foi vítima.

Gabeira se retratou na segunda-feira (9). O jornalista reconheceu que a frase foi “mal colocada” e afirmou que o STF é “essencial para a democracia” e que “nenhum país civilizado pode dispensar” a Corte. Disse ainda que deseja o fortalecimento do tribunal, não o seu fim. A declaração original havia sido feita no contexto de supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O STF divulgou nota oficial afirmando que uma análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro constatou que as mensagens não foram direcionadas a Moraes. O ministro André Mendonça determinou a abertura de inquérito para investigar a origem dos vazamentos.

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