Na semana do crime, ela pediu ajuda. Havia uma medida protetiva em vigor. Ele foi preso por descumpri-la, após dizer:
“Se me prenderem de novo, eu te mato.”
Poucos dias depois, a Justiça autorizou sua soltura. Ele voltou para casa. E cumpriu o que havia prometido.
Agora, quase um ano e meio depois, Lucas Córdova Elias foi condenado por matar a própria mãe a facadas dentro de casa, em Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina.
O ataque
Era madrugada quando Lucas entrou no quarto onde a mãe dormia. Com uma faca na mão, desferiu diversos golpes contra ela, Maria Aparecida Córdova Elias, de 47 anos. O ataque aconteceu em fevereiro de 2024.
Ao ouvir os gritos, o pai correu até o quarto. Tentou impedir, mas também foi ferido — levou uma facada no pescoço. Uma amiga da família, que também estava na casa, foi atingida no ombro. Um vizinho entrou correndo para ajudar, mas acabou esfaqueado no peito e no braço.
Apesar da violência, os três conseguiram sobreviver e pedir socorro. A Polícia Militar prendeu o autor ainda no local.
O histórico
A mãe já havia registrado medidas contra o filho em 2023. Ela havia sido agredida anteriormente e pedia por distância.
No início de fevereiro de 2024, ele voltou a desrespeitar a decisão judicial. Foi preso após fazer ameaças — entre elas, uma promessa clara: se fosse preso mais uma vez, ela pagaria com a vida.
Mesmo assim, durante a audiência de custódia, a Justiça decidiu colocá-lo em liberdade. Dias depois, ela foi morta.
A condenação
O caso foi julgado nesta semana pelo Tribunal do Júri da Comarca de Içara. O réu foi condenado a 21 anos e 4 meses de reclusão pelo crime de feminicídio, com reconhecimento das qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Também recebeu pena adicional de nove meses e 15 dias de detenção pelas agressões contra o pai, a amiga da família e o vizinho.
Lucas seguirá preso. Dessa vez, a Justiça negou o direito de recorrer em liberdade.

