Criminosos do PCC atacam ‘favela do PGC’ em Florianópolis e são presos pela PMSC

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Criminosos ligados ao PCC atacaram a comunidade Novo Horizonte, conhecida como área de influência do PGC, em Florianópolis, e acabaram presos em flagrante pela Polícia Militar de Santa Catarina. A ação rápida evitou que a tentativa de homicídios tivesse um desfecho mais grave.

A ocorrência foi registrada por volta das 20:00, na Rua Humberto de Freitas Tibau, no bairro Capoeiras. Equipes do Tático do 22º Batalhão da Polícia Militar receberam informações de que dois homens haviam efetuado diversos disparos de arma de fogo dentro da comunidade Novo Horizonte, região marcada historicamente por disputas entre facções criminosas.

Durante as diligências, os policiais militares localizaram e abordaram os suspeitos, identificados como Felipe Zanderlan Wojcikiewicz e Johnatan Nogueira dos Santos. Contra Johnatan havia um mandado de prisão ativo expedido pela Justiça de Santa Catarina, por condenação definitiva, com pena em regime fechado de quase 20 anos.

Na ação, a Polícia Militar apreendeu duas pistolas calibre 9mm, sendo uma Canik e uma Sarsilmaz, além de dois aparelhos celulares. Todo o material foi recolhido e apresentado junto com os presos na Central de Plantão Policial.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e cumprimento de mandado de prisão. A atuação das equipes do 22º BPM foi decisiva para conter o ataque e restabelecer a segurança na região.

Conflito antigo e violento

A comunidade Novo Horizonte e a região da Chico Mendes, em Florianópolis, vivem há anos sob tensão devido à guerra entre facções criminosas. O racha que transformou as comunidades começou por dinheiro, poder e controle do tráfico e foi agravado por uma ruptura interna entre criminosos locais.

Até o início da década passada, o tráfico na área funcionava de forma relativamente unificada, com grupos locais controlando pontos de venda sem uma facção nacional dominante. Esse cenário mudou quando o PGC tentou expandir seu domínio e impor filiação obrigatória aos traficantes da região, exigindo alinhamento, regras internas e repasse de parte dos lucros.

Parte dos criminosos aceitou a imposição e passou a atuar sob a bandeira do PGC. Outro grupo, porém, se recusou a se submeter e buscou proteção e apoio do PCC, facção paulista que na época avançava sobre Santa Catarina oferecendo armas, logística e respaldo para enfrentar rivais.

A partir daí, a comunidade foi literalmente dividida. De um lado, traficantes alinhados ao PGC, com domínio de pontos tradicionais. Do outro, criminosos ligados ao PCC, tentando tomar território à força.

Esse rompimento deu início a uma sequência de execuções, atentados e ataques armados, com ações de vingança quase imediatas. Relatórios policiais e reportagens da época mostram que uma única rua chegou a separar áreas controladas por facções rivais, cenário que elevou drasticamente o risco para moradores.

Em 2015 e 2016, o conflito atingiu o auge. Houve homicídios em plena luz do dia, perseguições, carros roubados usados em execuções e reforço constante do policiamento. A Polícia Militar precisou empregar Bope, PPT e operações de longa duração, após identificar que a disputa não era pontual, mas sim uma guerra territorial consolidada.

O ataque recente segue exatamente esse padrão histórico. Integrantes ligados ao PCC tentaram romper a barreira territorial, entrar armados em área dominada pelo PGC e executar alvos específicos. A diferença é que, desta vez, a ação rápida da Polícia Militar de Santa Catarina impediu que o confronto terminasse em morte.

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