Três crianças com idades entre 3 e 8 anos foram encontradas sozinhas em um apartamento em condições insalubres no fim da tarde desta quinta-feira (31), no bairro Alto São Bento, em Itapema, Litoral Norte de Santa Catarina. O caso, atendido pela Polícia Militar e pelo Conselho Tutelar, é investigado como crime de abandono de incapaz.
A ocorrência foi registrada por volta das 19h10 no Residencial Vista Atlântica. A Polícia Militar foi acionada pela Central Regional de Emergência após denúncias de que menores estariam desacompanhados em um dos apartamentos do prédio.
Ao chegarem ao local, os policiais conversaram com as próprias crianças através da porta. Elas relataram que a responsável havia saído e que estavam sozinhas. Após tentativas frustradas de localizar um adulto, os agentes decidiram arrombar a porta, com apoio de outra guarnição policial e da conselheira tutelar plantonista.
O que os policiais encontraram dentro do imóvel causou forte impacto. O apartamento estava em completo estado de abandono: lixo acumulado por todos os cômodos, forte odor, sinais de uso de drogas, alimentos vencidos ou inexistentes, e as crianças apresentavam visível falta de higiene. A mais nova, de apenas 3 anos, estava sem roupas na parte inferior do corpo. Também havia marcas que indicavam um possível princípio de incêndio anterior no local.
Diante da situação de risco, as autoridades providenciaram o acolhimento emergencial das crianças, que foram deixadas sob os cuidados do Conselho Tutelar. A “mãe” apareceu minutos depois, acompanhada de uma familiar que está grávida. Aos policiais, ela admitiu ser usuária de drogas e afirmou que havia deixado o apartamento para ir ao mercado.
Ela foi detida e levada à Delegacia de Polícia Civil de Itapema para prestar depoimento e responder pelo crime de abandono de incapaz. A porta do apartamento, danificada durante o acesso forçado dos policiais, foi consertada antes do encerramento da ocorrência.
O caso gerou comoção entre os próprios vizinhos do residencial, que relataram já ter notado situações de negligência anteriores. A Polícia Civil deve instaurar inquérito para aprofundar as investigações, inclusive sobre a condição de moradia das crianças e eventual reincidência.
A Promotoria da Infância e Juventude também deve ser acionada para acompanhar o caso e determinar medidas protetivas em relação às crianças. O Conselho Tutelar avalia a possibilidade de encaminhamento para abrigo temporário até que uma decisão judicial defina o destino dos menores.
A Polícia Militar de Santa Catarina agiu com rapidez e firmeza diante da gravidade do caso, garantindo a integridade das crianças e prestando apoio às instituições responsáveis pela proteção da infância. A atuação conjunta das guarnições e do Conselho Tutelar foi fundamental para interromper uma situação de risco que poderia ter se agravado a qualquer momento.

