Após a sequência de mortes violentas que colocou Biguaçu, na Grande Florianópolis, novamente no centro do noticiário policial, o comandante do 24º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Sartor, afirmou que a Polícia Militar de Santa Catarina não permitirá que o município seja invadido por facções criminosas e garantiu o reforço das ações de segurança.
A declaração ocorre após a divulgação de reportagem do Jornal Razão que expôs a insatisfação de parte da tropa do 24º BPM diante do aumento de ocorrências graves no início de 2026 e do impacto da mudança de comando. O cenário gerou apreensão na comunidade e ampliou a cobrança por respostas claras das forças de segurança.
Em vídeo divulgado nas redes sociais do batalhão, o comandante afirmou que é dever do comando esclarecer os fatos com responsabilidade, cautela e com base em informações oficiais. Segundo ele, nem todos os episódios recentes têm origem em Biguaçu, embora tenham terminado no município, o que, conforme destacou, acaba distorcendo a leitura dos dados quando analisados de forma isolada.
Sobre os corpos encontrados em área de mata, Sartor afirmou que os crimes não começaram em Biguaçu e que as vítimas não eram moradoras da cidade. Conforme o comandante, todo o contexto anterior ao encontro dos corpos está sob investigação da Polícia Civil, inclusive para apurar se houve participação de pessoas do município.
Em relação às informações que circularam sobre o cemitério clandestino de facção, o comandante negou a existência de qualquer registro oficial, histórico policial ou confirmação técnica. Segundo ele, policiais antigos da cidade também desconhecem fatos dessa natureza no local mencionado.
Outro caso que gerou forte repercussão foi o sequestro de três jovens. De acordo com o comandante, o crime teve início fora de Biguaçu, o cativeiro não ocorreu no município e, após exigências da Polícia Militar, as vítimas foram libertadas pelos criminosos na região da divisa, já em área de Biguaçu, apenas como ponto final de liberação. A Polícia Civil segue investigando o caso.
Sartor também comentou sobre um corpo encontrado no Rio Biguaçu. Segundo ele, os primeiros indícios apontam para morte acidental por afogamento. Dias antes, a Polícia Militar havia atendido uma ocorrência envolvendo um homem com características semelhantes que foi levado pela correnteza e não foi localizado. Conforme o comandante, não há, até o momento, ligação desse caso com os demais registros.
Ainda foi citado o caso de um dependente químico encontrado morto dentro da própria residência. Conforme o comandante, não havia sinais de violência, e no local foi encontrada grande quantidade de medicação controlada vazia, o que indica, inicialmente, ausência de relação com facções ou homicídios.
Apesar da sequência alarmante de ocorrências, o comandante afirmou que há um ponto que se repete em parte dos episódios, que é a presença de drogas, seja pelo tráfico ou pelo uso. Segundo ele, esse fator reforça a necessidade de intensificação das operações contra o tráfico e das ações de ordem pública.
O comando destacou que os números recentes também mostram resultados positivos do trabalho da PMSC. Em dezembro, os furtos caíram 43% em Biguaçu na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No comparativo anual, os roubos tiveram redução de 21%, enquanto a apreensão de armas de fogo aumentou 53%.
A Polícia Militar de Santa Catarina informou que segue monitorando os indicadores criminais e ajustando o policiamento conforme a dinâmica da criminalidade. Em meio à pressão, o comando do 24º BPM afirma que permanece presente, atento e comprometido com a segurança da população de Biguaçu, reforçando que denúncias podem ser feitas pelo telefone 190.

