Um criminoso apontado como chefe de facção criminosa do Rio Grande do Sul é o homem que conseguiu sair dirigindo um Porsche 911 Carrera apreendido de um pátio credenciado em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. O caso, tratado como estelionato com uso de documentos falsos, expôs uma sequência de falhas que agora estão sob investigação.
O suspeito foi identificado como Luiz Fernando de Oliveira Jardim, conhecido no meio policial como Rato. Segundo informações apuradas pelas forças de segurança, ele possui mais de 30 passagens pela polícia, incluindo crimes graves como tráfico de drogas e homicídio, além de ser apontado como liderança de organização criminosa com atuação no RS.
O veículo envolvido é um Porsche 911 Carrera T, avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão, que havia sido apreendido e estava sob responsabilidade do poder público, guardado em um pátio credenciado, à espera de liberação ao verdadeiro proprietário, um empresário.
De acordo com a apuração do Jornal Razão, dias após a apreensão, Luiz Fernando se apresentou no balcão do pátio com uma procuração que aparentava regularidade, contendo selos e documentação suficiente para convencer os funcionários. Apesar de não ser o dono do carro, o sistema aceitou os documentos apresentados e o veículo foi liberado. O criminoso saiu do local dirigindo o Porsche.
A fraude só veio à tona quando o verdadeiro proprietário compareceu ao pátio para buscar o automóvel e foi informado de que o carro já havia sido retirado. A situação foi imediatamente comunicada às autoridades, que passaram a tratar o caso como golpe.
Com o avanço das diligências, a Polícia Militar de Santa Catarina entrou em ação. A partir do compartilhamento de informações e resposta rápida, equipes da PMSC localizaram o Porsche no trevo de acesso ao bairro Jurerê, em Florianópolis. O veículo foi recuperado e Luiz Fernando de Oliveira Jardim acabou preso.
A prisão chamou ainda mais atenção das autoridades devido ao histórico do suspeito. Conforme registros policiais, ele já esteve envolvido em grandes investigações no Rio Grande do Sul e é considerado um nome de peso dentro do crime organizado, com atuação interestadual.
Jardim, conhecido como “Rato”, é apontado em operações no RS como integrante de alto escalão de facção criminosa gaúcha e já cumpriu pena no sistema prisional por tráfico de drogas. Conforme registros de uma grande operação de transferência de líderes de facções em 2020, Rato acumulava penas por tráfico e estava recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre antes de ser transferido para presídio federal devido à sua posição dentro da organização criminosa.
O Porsche foi devolvido à custódia do Estado, mas o caso segue longe de ser encerrado. A polícia agora apura quem falsificou a procuração, como o documento conseguiu passar pelos filtros de conferência, se houve falha humana no processo de liberação ou se o golpe foi cuidadosamente planejado para explorar brechas no sistema.
As investigações seguem em andamento.

