Um dos assaltantes de banco mais procurados do Brasil foi morto na madrugada desta terça-feira (2) durante uma operação integrada em Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina. Lezenilton Luís Oliveira Teixeira, conhecido como “Coroa”, era considerado o cérebro por trás de uma série de crimes violentos atribuídos ao “Novo Cangaço”. A apuração é exclusiva do Jornal Razão. A morte representa o fim de uma trajetória marcada por explosões, mortes, sequestros e tiroteios em ao menos quatro estados.
“Coroa”: uma década espalhando o terror
Com 38 anos de condenações já acumuladas e dezenas de mandados de prisão em aberto, “Coroa” era tratado pelas forças de segurança como um dos criminosos mais perigosos em atividade no país. Atuava de forma itinerante, passando por Goiás, Tocantins, Pará e São Paulo, sempre com estratégias brutais e bem coordenadas. Em suas ações, utilizava armamento de guerra, explosivos industriais e fazia reféns – muitas vezes usados como escudo humano.

Seu nome se tornou conhecido nacionalmente após a morte da servidora do Ministério Público de Goiás, Viviane Costa, em janeiro de 2016, em São Miguel do Araguaia. Ela foi feita refém durante um ataque simultâneo a duas agências bancárias e acabou executada. O crime chocou o estado e intensificou a caçada aos responsáveis.
Lista de crimes atribuídos a “Coroa”
Segundo levantamento exclusivo feito pelo Jornal Razão, ao menos 13 grandes ataques foram liderados ou contaram com a participação direta de Lezenilton. As ações ocorreram entre 2014 e 2016 e incluem:
- Explosões de agências bancárias em Campinorte, Santana do Araguaia, Nova Crixás, São Miguel do Araguaia, Mara Rosa, Cavalcante, Santa Terezinha de Goiás e Acreúna.
- Assaltos a carros-fortes nas rodovias GO-237 e GO-241, com tiroteios em plena luz do dia.
- Invasão a mineradora em Barro Alto, para roubo de explosivos utilizados nas ações.
- Ataques simultâneos a bancos e delegacias, como o registrado em Mara Rosa, quando a quadrilha atirou contra a sede da polícia para retardar a reação.
- Roubo com reféns e escudos humanos em Araguaçu e outras localidades.
A ousadia era uma marca registrada: em Acreúna, o bando explodiu uma agência da Caixa, invadiu uma joalheria ao lado e trocou tiros por várias quadras, enquanto levava moradores como escudo.
Operação final: caçado e neutralizado em SC
Após anos de investigações, a Polícia Militar de Goiás, por meio do BOPE, em articulação com a PM de Santa Catarina, a PM do Distrito Federal e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), conseguiu rastrear o paradeiro do criminoso. “Coroa” havia se escondido em uma residência no município de Braço do Norte, onde mantinha uma rotina discreta para evitar a prisão.
O cerco foi montado de forma silenciosa durante a madrugada. Segundo fontes ouvidas com exclusividade pelo Jornal Razão, ao ser surpreendido pela equipe do BOPE, Lezenilton reagiu com tiros, o que levou à resposta imediata da equipe de elite. Ele foi atingido e morreu no local. Nenhum policial ficou ferido na ação.
Criminoso de altíssima periculosidade
O histórico de Lezenilton impressionava até mesmo os oficiais mais experientes. Além dos mandados de prisão expedidos pelas comarcas de Goiânia, Mara Rosa e Cavalcante, ele já havia sido condenado pela Justiça de São Paulo a 38 anos de prisão em regime fechado. Seus crimes incluíam roubo qualificado, incêndio, posse de explosivos, porte ilegal de armas, homicídio e associação criminosa.
Fontes da segurança pública apontam que ele atuava como “general” dentro da organização, sendo responsável pela logística, escolha de alvos, divisão de tarefas e fuga. Era temido inclusive entre membros da facção.
Fim de uma era de terror
A morte de “Coroa” é considerada uma vitória estratégica para as forças de segurança, que há anos perseguem os líderes do “Novo Cangaço”, responsável por transformar cidades pacatas em verdadeiros cenários de guerra. A Polícia Militar de Goiás comemorou o resultado e reforçou o compromisso com a memória das vítimas.
“Hoje encerramos o ciclo de um dos criminosos mais violentos e estrategistas do país. Que cada vítima encontre um pouco de justiça nessa resposta do Estado”, declarou um oficial da PMGO ao Jornal Razão.
A operação também representa um marco para Santa Catarina, que tem intensificado sua atuação no combate ao crime organizado em parceria com outros estados. O sucesso da ação reforça o papel do estado como parte ativa da estratégia nacional de enfrentamento às facções criminosas.

