A madrugada desta quarta-feira, dia 7, foi marcada por uma corrida contra o tempo em Santa Catarina. Dias depois de a Grande Florianópolis ser abalada por uma chacina com quatro mortos, a Polícia Militar de Santa Catarina conseguiu impedir que a violência se repetisse. As informações sobre o caso foram apuradas com exclusividade pelo Jornal Razão.
A atuação começou a partir da PMSC, que recebeu informações anônimas apontando que um sequestro estava em andamento em uma comunidade de Florianópolis. Diante do cenário recente de guerra entre facções, o alerta foi tratado como prioridade máxima. Equipes do BOPE foram mobilizadas imediatamente.
As informações indicavam que três jovens haviam sido abordados por criminosos armados após entrarem em uma área dominada pela facção PGC a mesma responsável pela chacina na Grande Floripa. Segundo os relatos colhidos depois, eles foram identificados como “paulistas” e passaram a ser acusados, sem provas, de ligação com o PCC, grupo rival do PGC. A abordagem rapidamente evoluiu para sequestro.
Enquanto as vítimas eram mantidas sob ameaça, familiares passaram a receber chamadas de vídeo feitas dos próprios celulares dos jovens. Nas imagens, eles apareciam sob a mira de armas de fogo. Os criminosos exigiam transferências bancárias via PIX, em valores elevados, como condição para mantê-los vivos. Pelo menos uma transferência chegou a ser realizada.
A partir desses dados, a Polícia Militar intensificou as diligências. Equipes do BOPE, com apoio de policiais do Tático e de batalhões da região, passaram a cumprir uma série de ações simultâneas, sem interrupção. Endereços ligados às contas que receberam os valores foram identificados e alvos de abordagem.
Em uma dessas diligências, policiais localizaram um casal suspeito de envolvimento com o esquema financeiro do sequestro. Houve tentativa de fuga, resistência à ação policial e destruição proposital de um celular. No imóvel, foram encontradas drogas, balanças de precisão e cartões bancários, reforçando a ligação com o tráfico.
Paralelamente, o trabalho de inteligência do BOPE avançava sobre o possível local onde os jovens estavam sendo mantidos. Informações indicaram uma área de mata em outra comunidade da Grande Florianópolis. O BOPE seguiu para o local e encontrou uma estrutura improvisada usada como cativeiro. No ponto, havia objetos utilizados para manter as vítimas amarradas e os celulares delas. O local havia sido abandonado pouco antes da chegada da polícia.
Mesmo assim, as buscas não cessaram. As equipes do BOPE seguiram rastreando os deslocamentos dos criminosos pela mata, enquanto a Central Regional de Emergências mantinha contato com as informações em tempo real. Pouco depois, chegou a confirmação: os três jovens haviam sido libertados e estavam em Biguaçu.
Em conversa com os policiais, as vítimas relataram que os sequestradores decidiram soltá-las ao perceberem a presença do BOPE na região. Segundo os relatos, o medo da incursão policial e do cerco montado foi determinante para a libertação.
Os jovens descreveram momentos de terror. Disseram que foram agredidos, ameaçados de morte, mantidos amarrados durante as noites em meio à mata, sem acesso a banheiro, água ou qualquer condição mínima de higiene. Relataram ainda coronhadas e ameaças constantes de execução caso a polícia fosse acionada novamente.
A ocorrência foi apresentada na Central de Plantão Policial de Florianópolis como extorsão mediante sequestro, resistência e tráfico de drogas.
O caso ganha ainda mais peso por ocorrer poucos dias depois de uma chacina que deixou quatro mortos em Florianópolis, crime atribuído à disputa entre facções criminosas. Para a PMSC, o resgate desta quarta-feira mostra que a resposta foi rápida, contínua e firme, com atuação ininterrupta das equipes até a localização e libertação das vítimas.
A ação do BOPE da Polícia Militar de Santa Catarina evitou que a madrugada terminasse com mais mortes, em um momento em que o estado ainda sente os reflexos de uma violência extrema ligada ao crime organizado.

