O resgate de uma cobra caninana em Jaraguá do Sul terminou com um pequeno “troco” da natureza. O biólogo Christian Raboch Lempek, conhecido nas redes sociais por capturar e proteger animais silvestres, acabou mordido pela própria serpente que tentava salvar. A cena, registrada em vídeo e compartilhada pelo próprio profissional, virou motivo de risada entre os moradores que acompanhavam o trabalho.
O caso aconteceu na terça-feira (14), no telhado da casa de uma família no bairro Vila Nova. Bárbara Jeuzur, moradora do local, percebeu a presença do animal e, ao notar que não se tratava de uma cobra venenosa, chamou a equipe da Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente). “Já apareceram outras cobras aqui, inclusive jararacas. Sempre acionamos o resgate, nunca machucamos nenhum animal”, contou.
Durante a tentativa de captura, a caninana se virou rapidamente e abocanhou a mão do biólogo. Conhecida por sua velocidade e temperamento agitado, a espécie não é peçonhenta, mas costuma reagir com mordidas quando se sente ameaçada. “Essas cobras se alimentam de pequenos animais, então têm muitas bactérias na boca. Pode causar infecção se não higienizar direito. Mas está tudo bem, lavei bem o ferimento e ficou só a marca da experiência”, brincou Lempek.
Em uma publicação nas redes, o biólogo usou bom humor para alertar o público: “Resgatar caninana já é complicado… agora, sem ver onde ela está e sabendo que gosta de dar ‘grampeada’, é pedir pra tomar uma. Mas o importante é que ela foi salva. Se eu não fosse, talvez tivessem matado.”
A serpente, identificada como Spilotes pullatus, foi devolvida a uma área de mata preservada. A espécie é considerada uma das cobras mais rápidas do Brasil. De corpo alongado e coloração que mistura preto e amarelo, costuma assustar pelo visual, mas é completamente inofensiva. Quando se sente ameaçada, ergue a cabeça e achata o pescoço, imitando o comportamento de serpentes venenosas.
Solitária por natureza, a caninana só se aproxima de outra da mesma espécie na época do acasalamento, durante o inverno. Pode atingir até 2,5 metros de comprimento e tem papel importante no equilíbrio ambiental, controlando populações de roedores e pequenas aves.

