Bebê de 8 meses é internada na UTI com costelas quebradas e sinais de espancamento em SC

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Uma bebê de apenas 8 meses luta pela vida na UTI pediátrica do Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), em Joaçaba, após dar entrada na madrugada desta quarta-feira (20) com sinais evidentes de violência. O caso, que já está sendo investigado pela Polícia Civil, reforça a dor e a indignação provocadas pela morte de Moisés Falk Silva, menino de 4 anos que não resistiu aos maus-tratos em Florianópolis no último domingo (17).

Madrugada de horror em Herval d’Oeste

Segundo a Polícia Militar, a mãe da criança, de 21 anos, procurou atendimento inicialmente na UPA de Herval d’Oeste, relatando febre e dificuldade para respirar. Os profissionais de saúde, no entanto, desconfiaram do estado da bebê e imediatamente acionaram o HUST.

Ao chegar ao hospital, os exames revelaram uma realidade ainda mais dura: a bebê apresentava fraturas antigas e recentes em costelas, fêmur e braço, além de um quadro de lesão pulmonar compatível com trauma. Diante da gravidade, a menina foi encaminhada para cirurgia de emergência e segue em estado crítico, intubada e sob cuidados intensivos.

Contradições da mãe e suspeita sobre o padrasto

Durante o atendimento, a mãe deu versões contraditórias. Inicialmente omitiu a existência de um companheiro, que seria o padrasto da criança, mas depois admitiu que ele também vivia na residência. Aos policiais, disse não saber como os ferimentos ocorreram.

A postura levantou desconfiança das autoridades, já que a presença de lesões em diferentes estágios de cicatrização indica que a criança vinha sendo agredida há semanas. A jovem foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil de Joaçaba, onde permanece à disposição da Justiça. O padrasto é investigado, mas ainda não havia sido localizado até o fechamento desta reportagem.

Conselho Tutelar e medidas de proteção

O Conselho Tutelar de Herval d’Oeste foi acionado para garantir a proteção da bebê e de outro filho da mulher, que foi entregue aos cuidados da avó materna. O órgão acompanha o caso e deve repassar relatórios ao Ministério Público e ao Judiciário para definir as medidas cabíveis.

Repetição de um padrão que assusta

Assim como no caso de Moisés, em Florianópolis, o que se vê é um padrão de agressões que não surgiram de um dia para o outro. Em maio, Moisés já havia ficado 12 dias internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em meio a fortes suspeitas de maus-tratos. No caso da bebê de Herval d’Oeste, os exames mostram que as fraturas também não são recentes, o que reforça a tese de violência continuada dentro do próprio ambiente familiar.

A rápida percepção dos profissionais de saúde permitiu que a criança fosse hospitalizada antes que a violência resultasse em morte. Ainda assim, o quadro clínico é considerado gravíssimo.

Pressão sobre a rede de proteção

O caso já provocou mobilização de autoridades locais. O Ministério Público de SC, que abriu investigação sobre possíveis falhas na atuação do Conselho Tutelar no caso de Florianópolis, agora também deve acompanhar a ocorrência em Herval d’Oeste.

A promotora de Justiça Luana Pereira Neco da Silva, que atua na área da Infância e Juventude da Capital, destacou recentemente a sobrecarga dos conselheiros e a falta de estrutura para enfrentar situações de risco.

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