A denúncia feita por uma banhista na Meia Praia, em Itapema, trouxe novamente à tona um problema antigo no Litoral Norte de Santa Catarina: a ocupação irregular da faixa de areia por estruturas privadas de locação de cadeiras e guarda-sóis.
Segundo o relato, a mulher chegou à praia por volta das cinco e pouco da manhã, quando a areia ainda estava praticamente vazia. Ela se acomodou em um trecho sem qualquer estrutura montada. Pouco depois, homens que montavam guarda-sóis, mesas e cadeiras para locação passaram a espalhar os equipamentos, posicionando-os muito próximos dela, inclusive ao redor do espaço que já ocupava.
Em áudio gravado no local, a banhista afirma que “cada um botou um guarda-sol em cima da gente”, questionando se a prática era legal. Ela relata que chegou cedo justamente para evitar esse tipo de situação, mas acabou cercada por equipamentos que não solicitou.
O constrangimento aumentou quando um homem mais velho perguntou de onde ela era e, em seguida, os trabalhadores continuaram a ocupar o espaço ao redor. Com receio de ser cobrada por um serviço que não pediu, a mulher retirou um dos guarda-sóis colocados ao seu lado e montou o próprio equipamento. Nesse momento, um dos homens afirmou que ela não poderia mexer no material e que não deveria estar naquele local.
A discussão se intensificou quando outro homem, apontado como proprietário do ponto, se aproximou e disse que trabalhava ali havia 18 anos. Segundo a denúncia, os homens recolocaram o guarda-sol à frente da banhista e fizeram uma ameaça direta: “Coloque a mão neste guarda-sol e você vai ver”.
Mesmo diante da intimidação, a mulher permaneceu no local, afirmando que estava apenas exercendo seu direito de uso de um espaço público. Pela Constituição Federal, as praias são bens de uso comum do povo, e nenhum estabelecimento pode impedir o acesso, restringir a permanência ou obrigar o consumo de serviços.
A repercussão nas redes sociais foi imediata. Moradores e turistas relataram situações semelhantes em outras praias de Santa Catarina, como Bombinhas e Porto Belo, afirmando que a areia amanhece ocupada por guarda-sóis antes mesmo da chegada dos banhistas.
A fiscalização dessas atividades é responsabilidade do poder público municipal. Até o momento, não houve manifestação oficial da prefeitura sobre o caso específico. O episódio reacende o debate sobre os limites da exploração comercial nas praias e o direito coletivo de uso livre da faixa de areia.

