Uma mulher conhecida no meio político de Palhoça como “Ana do PT” foi presa em flagrante na manhã desta segunda-feira (13) após proferir ofensas discriminatórias contra uma motorista de transporte coletivo da empresa Jotur. O caso aconteceu por volta das 10h50, no interior de um ônibus que circulava pela Avenida Prefeito Nelson Martins, no Centro do município.
Conforme a Polícia Militar de Santa Catarina, uma guarnição que estava na Delegacia de Polícia de Palhoça foi acionada pela vítima, uma motorista de 37 anos. A motorista chegou aos prantos relatando que havia sido humilhada por uma passageira durante todo o trajeto do ônibus.
Ofensas e ameaças dentro do ônibus
Segundo o relato da motorista, ela deu bom dia a uma mulher que entrava no coletivo quando a passageira respondeu com a pergunta: “Você é homem ou é mulher?”. a motorista disse que era mulher, mas a passageira não respeitou a resposta e passou a humilhá-la, dizendo que a vítima “era homem” e “parecia ser homem”.
Mesmo com os pedidos da motorista para que a mulher parasse e a respeitasse, as ofensas continuaram. A passageira chamou a motorista de “porca” e disse que “fala o que bem entender”. Ainda conforme o depoimento da vítima, a mulher ameaçou falar com uma pessoa identificada como “Ivo” para que a vítima fosse demitida da empresa.
Vítima parou o ônibus em frente à delegacia
Diante das humilhações, a motorista parou o ônibus em frente à delegacia e correu para pedir ajuda. Ao perceber que seria denunciada, a mulher tentou se esquivar da abordagem policial e saiu do local, mas foi alcançada pela guarnição da PMSC.
Conduzida à delegacia, ela se recusou a fornecer nome e CPF, dificultando o registro da ocorrência. Conforme a polícia, a mulher tentou prejudicar o andamento do caso a todo momento.
Identificação e passagens anteriores
Após pesquisas nos sistemas policiais e na internet, a mulher foi identificada como Ana Odete Carneiro Nobre, ex-candidata a vereadora pelo PT em Palhoça nas eleições de 2020, com o número 13000. Conhecida no meio político local como “Ana do PT”, ela possui, conforme a polícia, diversas passagens anteriores por crimes contra a honra.
Crime imprescritível e inafiançável
O delegado responsável pelo caso informou que a conduta se enquadra, em tese, no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que trata de crimes de preconceito. Decisões do Supremo Tribunal Federal equiparam a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, tornando essas práticas imprescritíveis e inafiançáveis.
A Polícia Militar reforçou que não tolera qualquer tipo de discriminação e destacou seu compromisso com a defesa da dignidade e dos direitos fundamentais. A ocorrência foi registrada na Central de Polícia de Palhoça. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.

