“Não me deixem derrotado”: maratonista de 92 anos denuncia impedimento para concluir prova em Blumenau
Francisco Lima viajou 32 horas de ônibus para participar da maratona, mas foi retirado do percurso após completar 21 km. Ele afirma que estava bem e se sentiu injustiçado pela decisão médica.

A 27ª Maratona Internacional de Blumenau (SC), realizada neste domingo (6), se tornou alvo de uma grande polêmica após o maratonista Francisco Lima, de 92 anos, relatar ter sido impedido de concluir a prova mesmo afirmando que estava em boas condições físicas.
Francisco é conhecido no meio esportivo por ser o maratonista mais velho em atividade no Brasil. Natural do Piauí, ele já completou 159 maratonas e se preparava para a 160ª. Segundo relatos, ele viajou mais de 30 horas de ônibus até Blumenau com o objetivo de completar mais uma competição.
“Estou muito chateado, muito sacaneado. Eu estava muito bem. Estava fazendo em menos de três horas a metade da maratona. Eu tinha direito a seis horas de prova. Não me deixem derrotado, por favor”, desabafou Francisco em vídeo publicado nas redes sociais.
O maratonista afirmou que nenhum exame foi feito pela equipe médica no momento em que decidiram retirá-lo do percurso:
“Nem sequer um aparelho foi colocado no meu corpo para medir minha pressão, meu batimento cardíaco. A médica não me avaliou. E mesmo assim fui retirado da prova.”
Organização diz que decisão foi médica
A organização da Maratona de Blumenau se pronunciou sobre o caso e justificou a retirada do atleta com base em recomendação da médica responsável. Segundo nota oficial, a decisão foi tomada após ele completar 21 km e teve como objetivo evitar riscos à saúde de Francisco.
“Tivemos que priorizar a saúde do Sr. Francisco. Foi uma decisão difícil, mas confiamos nos profissionais da área. Nossa vontade seria vê-lo cruzar a linha de chegada, mas precisamos prezar pela segurança de todos”, afirmou a organização.

Francisco rebate decisão
Francisco respondeu ao comunicado diretamente nos comentários da publicação:
“Prezo muito esse cuidado e agradeço a preocupação comigo. Mas tenho consciência de quando preciso parar ou não. Nenhum parâmetro foi utilizado nesta decisão. Eu estava muito bem. Treino para isso. Vinte dias atrás fiz uma maratona e terminei em menos de cinco horas”, escreveu o maratonista.
Repercussão e apoio do público
A situação teve grande repercussão nas redes sociais. Vários atletas e seguidores saíram em defesa de Francisco e questionaram a decisão da equipe médica. Uma corredora afirmou que conversou com ele durante o trajeto e garantiu que ele estava “radiante”.
“É o senhor quem deve decidir se continua ou não. Ninguém mais tem esse direito”, escreveu outro seguidor. Houve ainda quem apontou falta de estrutura e falhas de organização na prova, mencionando problemas com kits, água, alimentação e troféus.
História de superação
Francisco começou a correr aos 75 anos, contrariando todas as expectativas sobre limitações da idade. Desde então, participou de competições em diversos estados e soma quase 160 maratonas concluídas. É acompanhado por assessoria esportiva e tem presença ativa nas redes sociais, onde compartilha treinos e conquistas.
“Enquanto eu puder, estarei nas pistas. A idade não me limita”, afirmou o atleta.
O episódio levantou um debate sobre os critérios usados por organizadores e equipes médicas em eventos esportivos, especialmente quando envolve atletas experientes e conscientes de seus limites.
Por enquanto, Francisco segue recebendo o apoio do público e já prometeu participar das próximas competições. Para ele, “não é a linha de chegada que define um campeão, mas a vontade de continuar correndo”.

