Mar ‘engole’ praia de Florianópolis e deixa moradores em pânico: “foi assustador”

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A madrugada desta terça-feira (7) foi de pânico e destruição na Praia dos Ingleses, no Norte de Florianópolis, onde a força da maré alta avançou sobre a faixa de areia, atingiu residências e estabelecimentos à beira-mar e derrubou postes e muros. Segundo a Defesa Civil municipal, as ondas chegaram a 1,4 metro de altura, atingindo cerca de 300 metros da orla, justamente o trecho que passou por alargamento em 2023.

Pelo menos 12 imóveis e cinco postes de iluminação pública foram atingidos. Moradores relatam que o mar começou a avançar ainda durante a madrugada, invadindo quintais e destruindo muros de concreto. A força da água arrancou estruturas, arrastou entulhos e deixou a areia tomada por destroços.

O cenário também causou prejuízos a comerciantes e trabalhadores da região, que se preparavam para a temporada de verão. Parte das casas de aluguel e restaurantes foi tomada pela água.

De acordo com a Prefeitura de Florianópolis, a área afetada é considerada crítica na dinâmica de circulação marítima, especialmente no Canto Sul dos Ingleses, e já vinha sendo monitorada há três semanas. A Secretaria de Infraestrutura e a Defesa Civil realizam vistorias técnicas e definem medidas emergenciais de limpeza e isolamento.

O diretor de operações da Defesa Civil, Alexandre Vieira, informou que a maré chegou com grande energia, removendo o sedimento e levando parte da areia para o mar. Os proprietários dos imóveis atingidos estão sendo notificados para retirar os entulhos e vidros quebrados da faixa de areia, e a COSIP atua na recuperação dos postes derrubados.

A Prefeitura estuda novas medidas de contenção da erosão costeira em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Uma das possibilidades é incluir estruturas de proteção no projeto da nova Avenida Beira-Mar Norte, ainda em fase de planejamento.

Fenômeno atinge todo o litoral catarinense

O caso de Florianópolis se soma a uma sequência de ressacas e erosões que vêm atingindo o litoral catarinense nas últimas semanas. Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, o mar continua agitado, com ondas que podem chegar a três metros e ventos fortes de sul/sudeste, provocados por áreas de baixa pressão e influência de um ciclone extratropical.

No Litoral Norte, quatro municípios já decretaram estado de emergência devido à erosão costeira e aos danos causados pela força do mar: São Francisco do Sul, Itapoá, Balneário Barra do Sul e Barra Velha. Em Barra Velha, o decreto municipal nº 2.262/2025 cita destruição de orlas, risco a imóveis e bloqueios de vias públicas, com validade de 180 dias.

Em Itapema, a ressaca também causou grandes estragos nesta terça-feira (7). O mar invadiu a Meia Praia, destruiu decks e calçadões, e a Prefeitura mobilizou uma força-tarefa desde a madrugada para conter os danos e isolar áreas de risco.

De acordo com a Defesa Civil estadual, o conjunto de eventos é resultado de ventos persistentes e marés elevadas, que têm agravado o processo de erosão costeira ao longo da costa de Santa Catarina. Técnicos alertam que a tendência é de aumento na frequência desses fenômenos devido às mudanças climáticas globais.

Alerta e recomendações

O órgão estadual mantém alerta de mar agitado até quarta-feira (8) e recomenda que moradores e turistas evitem o contato com as águas, não dirijam em áreas alagadas e não transitem por pontes ou passagens submersas.

A Defesa Civil de Florianópolis segue monitorando os pontos mais críticos e orientando moradores sobre as medidas de segurança. A previsão indica que as condições devem começar a melhorar a partir de quinta-feira (9), mas o risco de novas ressacas ainda não está descartado.

Enquanto isso, a Praia dos Ingleses amanheceu coberta por entulhos, muros derrubados e postes quebrados — um retrato da força do mar e da fragilidade das cidades catarinenses diante dos efeitos da erosão costeira.

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