Uma história que começou cercada de desespero, medo e solidão ganhou um novo capítulo marcado por alívio, dignidade e, acima de tudo, esperança. O caso de Israel Martins Ribeiro, de 27 anos, diagnosticado com autismo severo (grau 3), esquizofrenia e hiperatividade, mobilizou toda a comunidade de São José, na Grande Florianópolis, após imagens fortes revelarem o jovem contido por cordas dentro da própria casa. Sem saber mais o que fazer, sua mãe, Nésia, decidiu pedir ajuda — e foi ouvida.
A denúncia que comoveu o estado
A situação veio à tona após o Jornal Razão publicar a reportagem e um vídeo mostrando Israel amarrado a uma cadeira, em estado de agitação extrema. A cena chocou, dividiu opiniões, mas principalmente escancarou uma realidade vivida por inúmeras famílias brasileiras: a completa ausência de suporte psiquiátrico para casos graves.
“Ele agride quem está por perto, tenta bater nas crianças, bate em mim, bate na minha mãe. A gente não consegue mais contê-lo sozinho porque ele é forte e está ficando cada vez mais agressivo”, relatou a irmã do jovem, com lágrimas nos olhos.
Israel já havia passado por tentativas de atendimento no Instituto de Psiquiatria (IPQ), mas o local se recusou a mantê-lo internado. Segundo os familiares, o argumento da equipe era que ele exigia cuidados intensivos — como alimentação assistida e higiene pessoal — que a estrutura atual não podia oferecer.
Anos de abandono e julgamento
Nos comentários da publicação, vizinhos relembraram o histórico da família. “Ela foi minha vizinha por anos. Sempre foi essa guerreira”, disse uma internauta. “O marido abandonou ela com o menino ainda bebê. Ela teve que se virar sozinha.” Outra seguidora comentou: “Era difícil. Ele batia nas pessoas. Tentava machucar as crianças. A gente ficava com medo.”

Apesar das críticas recebidas ao longo dos anos, Nésia nunca parou de procurar ajuda. Mas ela não precisava de julgamento. Precisava de acolhimento.
O apoio que mudou tudo
O desfecho começou a mudar na noite do último sábado (12), quando o deputado estadual Sérgio Guimarães, ao lado do coordenador estadual do SAMU, Gilberto Vieira, foi até a casa da família no bairro Potecas. “O secretário de Saúde me ligou pedindo atenção especial para o caso. Estamos aqui para resolver”, afirmou Gilberto, em vídeo publicado pelo parlamentar nas redes sociais
Com a pressão pública e o envolvimento das autoridades, Israel foi finalmente internado no IPQ ainda naquela noite. Agora, ele recebe medicação adequada e está sob supervisão médica especializada.
Uma mãe em paz, pela primeira vez
A mãe, Nésia, emocionou a todos com seu depoimento após a internação do filho. “Eu pude tomar meu café tranquila, sem medo de apanhar. Saímos daqui 9 da noite com ele. Agradeço a todos que ajudaram — até os que criticaram. Isso não é maldade. Isso é cuidado”, disse, com a voz embargada.
Em mensagem enviada à equipe do Jornal Razão, ela completou: “Nem Jesus agradou a todos, imagina nós. Mas hoje meu filho está medicado, está calmo, e eu finalmente tenho um pouco de sossego.”
Reflexão urgente sobre saúde mental
O caso de Israel não é isolado. Ele revela uma ferida aberta no sistema de saúde pública: a negligência com pacientes psiquiátricos graves e suas famílias. Quando o poder público falha, mães como Nésia são forçadas a fazer o que podem — às vezes com medidas extremas — para garantir a segurança dos próprios filhos e da comunidade.
A atuação do Jornal Razão e do deputado Sérgio Guimarães mostra que quando imprensa e autoridades se unem, é possível sim oferecer respostas rápidas e humanas.

“Seguiremos acompanhando o caso de Israel”, afirmou Guimarães. “Mas o mais importante é que esse episódio sirva de alerta. Não podemos continuar fingindo que essas famílias não existem.”

