A situação envolvendo Israel Martins Ribeiro, de 27 anos, morador de São José (SC), ganhou novos desdobramentos nesta semana. A irmã do jovem relatou com exclusividade ao Jornal Razão que a família está vivendo “trancada dentro do quarto”, com medo constante das agressões do rapaz, que sofre de autismo, esquizofrenia e apresenta histórico de comportamento violento.
Após ter sido internado por 15 dias no Instituto de Psiquiatria (IPQ), Israel recebeu alta médica — mesmo com registros de agressividade, conforme relatado pela família. A liberação, segundo a irmã, aconteceu mesmo diante de sinais claros de que ele não havia apresentado melhoras. “Ele dava soco na mãe dentro da clínica. Jogava objetos nas pessoas. Mas alegaram que ele estava bem e liberaram mesmo assim”, contou.
A alta ocorreu na última segunda-feira. Desde então, a família — composta por mulheres, duas crianças com deficiência e um bebê de quatro meses — afirma estar vivendo sob cárcere emocional. “A gente não consegue mais sair do quarto. Só abro a porta pra pegar comida na cozinha e volto correndo. Minha mãe não tem paz, vive apanhando. Estamos com medo de acontecer o pior enquanto dormimos”, desabafa a irmã.
Israel já agrediu a própria mãe com socos e chutes, mordeu uma professora da APAE e fugiu de casa em pelo menos duas ocasiões recentes. “Ele saiu de casa de madrugada e voltou como se nada tivesse acontecido. Não tem monitoramento, não tem acompanhamento, ninguém responde. A Secretaria de Saúde nem nos atende mais”, relatou.
Segundo a família, mesmo com laudos que comprovam os transtornos psiquiátricos e os riscos, o único tratamento oferecido atualmente é a ida de Israel à APAE de São José duas vezes por semana. A própria instituição já alertou que não tem condições de recebê-lo diariamente, por causa da agressividade.
“O CAPS disse que ele ficaria na APAE todos os dias, mas lá não aceitaram, com medo das agressões. A gente avisou que não daria conta, mas mesmo assim entregaram ele de volta”, afirma a irmã.
O caso já foi noticiado pelo Jornal Razão quando a mãe de Israel, Nésia, precisou amarrá-lo dentro de casa para evitar que fugisse e para proteger os outros filhos. A situação gerou grande repercussão e mobilizou leitores que se sensibilizaram com a dor da família.
Agora, o medo só aumentou. “Estamos sendo esquecidas. Só vão fazer alguma coisa quando ele matar alguém aqui dentro. A gente não quer viver trancada, com medo de morrer. A gente quer ajuda”, conclui, com voz embargada.
Até o momento, nenhuma nova medida foi adotada pela Secretaria Municipal de Saúde. O Jornal Razão segue acompanhando o caso.

