A inauguração da maior biofábrica do mundo especializada em mosquitos, em Curitiba (PR), na última semana, impactará diretamente no combate ao Aedes aegypti em duas cidades de Santa Catarina. Blumenau e Balneário Camboriú foram incluídas entre as cidades brasileiras selecionadas para receber o método Wolbachia, tecnologia que impede naturalmente o mosquito de desenvolver e transmitir o vírus de doenças como dengue, chikungunya e zika.
Wolbachia é uma bactéria que já existe na natureza e que, ao ser inserida no mosquito Aedes aegypti, impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya, reduzindo a transmissão dessas doenças. Os mosquitos com Wolbachia são chamados de Wolbitos. Ao contrário de fake news que circulam na internet, eles não são transgênicos e não passam por nenhuma modificação genética. Portanto, são considerados seguros para o ser humano e o meio ambiente.
O método começou a ser implantado em 2020 em cidades brasileiras, ainda no governo Bolsonaro. Em SC, Joinville foi precursora no uso da tecnologia, com resultados impactantes. A cidade, que chegou a liderar o número de mortes por dengue no Brasil em 2023, zerou a quantidade de óbitos em 2025. O município também reduziu em 98% o número de casos da doença.
Para trazer o Wolbachia a Joinville, o prefeito Adriano Silva tratou diretamente com o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O método começou a ser implantado na cidade em 2023 em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Wolbito do Brasil.
A expectativa é que Balneário Camboriú e Blumenau recebam os primeiros Wolbitos até o fim de agosto. A Secretaria de Estado da Saúde chegou a manifestar a preferência por Itajaí na região do Litoral Norte, devido à incidência de casos de dengue – mas questões técnicas levaram a gestão do método a optar por Balneário. Joinville também será contemplada com a ampliação do raio de abrangência do programa, que chegará a novos bairros ainda este mês.

