A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta terça-feira (14) as duas últimas marcas de canetas emagrecedoras do Paraguai que ainda podiam ser trazidas ao Brasil. A Resolução-RE nº 1.519, de 13 de abril de 2026, publicada no Diário Oficial da União, determina a apreensão e proibição da comercialização, distribuição, importação e uso dos produtos Gluconex e Tirzedral.
Com a medida, todas as versões de tirzepatida fabricadas no Paraguai estão oficialmente banidas no território brasileiro. O único medicamento à base de tirzepatida autorizado para venda e uso no Brasil é o Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly.
Ofensiva começou em 2025
A proibição de Gluconex e Tirzedral é o capítulo mais recente de uma ofensiva da Anvisa que começou em novembro de 2025. Desde então, a agência vem derrubando sistematicamente todas as marcas paraguaias de tirzepatida e retatrutida.
Conforme o documento publicado no DOU, os produtos foram fabricados por empresa desconhecida, sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa, em desacordo com os artigos 2º, 12 e 59 da Lei nº 6.360/1976. A resolução foi assinada por Renata de Lima Soares, gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da Anvisa.
Lista completa de canetas proibidas
Ao longo dos últimos meses, a Anvisa baniu todas as marcas de tirzepatida e retatrutida vindas do Paraguai. A lista inclui Gluconex e Tirzedral (abril/2026), Lipoland e T.G. do laboratório Landerlan, Lipoless do laboratório Éticos e Tirzec da Quimfa (fevereiro/2026), Synedica e T.G. de outros fabricantes (janeiro/2026), além de Tirzapep da Royal Pharmaceuticals e T.G. 5 da Indufar (novembro/2025).
A retatrutida, substância que sequer tem aprovação para uso comercial em nenhum país do mundo, também foi proibida em todas as marcas e lotes.
Quem trouxer pode pegar até 15 anos de cadeia
A importação e comercialização de medicamentos sem registro na Anvisa configura crime previsto no artigo 273 do Código Penal, com pena de 10 a 15 anos de reclusão e multa. O crime é classificado como hediondo por equiparação.
Mesmo quem traz uma caneta para uso pessoal pode responder por contrabando, previsto no artigo 334-A do Código Penal, com pena de 2 a 5 anos. Prisões já vêm acontecendo em todo o Brasil. No início de abril, um médico foi preso em Minas Gerais transportando 25 canetas de tirzepatida apreendidas pela Polícia Federal na BR-365. Em Pernambuco, um jovem de 19 anos foi preso em flagrante vendendo canetas T.G. no estacionamento de uma faculdade em Olinda.
As apreensões na fronteira com o Paraguai cresceram quase 80% no início de 2026. Conforme a Receita Federal, foram 13.321 caixas retidas entre janeiro e fevereiro, contra 7.479 em oito meses de 2025.
Preço é o principal motivador
O tratamento com Mounjaro no Brasil custa em torno de R$ 1.800 por dose mensal. No Paraguai, as versões proibidas custavam entre R$ 500 e R$ 600 para vários meses de tratamento. A diferença de preço levava milhares de brasileiros a cruzar a fronteira para adquirir o medicamento.
Até mesmo a Justiça foi acionada. No dia 10 de abril, um juiz autorizou parcialmente a compra de tirzepatida no Paraguai por um paciente, mas apenas de marcas que não estivessem nas resoluções proibitivas da Anvisa. Na prática, com todas as marcas agora banidas, a decisão ficou sem efeito.
O que acontece agora
Conforme a Anvisa, a proibição se aplica a qualquer pessoa física ou jurídica que comercialize ou divulgue os produtos, incluindo estabelecimentos de saúde e veículos de comunicação. O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, já havia declarado que as medidas têm o propósito de proteger a saúde da população e coibir o uso irregular de medicamentos sem registro.
A agência também anunciou que vai endurecer a fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas em farmácias brasileiras, com novas regras de rastreabilidade e controle de qualidade em discussão.

