“Um lixo”: vereador e candidato são hostilizados após vídeo com críticas ‘pesadas’ a morro de Florianópolis

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Uma publicação em vídeo nas redes sociais envolvendo o vereador de Joinville Mateus Batista e o pré-candidato a deputado estadual Felipe Barcellos gerou repercussão em Florianópolis e motivou denúncias às autoridades. Ambos se referiram à comunidade do Morro do Mocotó como “lixo” durante a gravação.

O vídeo foi publicado na terça-feira (20). Nele, Batista e Barcellos aparecem em uma rodovia em frente à comunidade, usando camisetas com as palavras “prendeu” e “matou”. Durante a gravação, os dois afirmam que o crescimento populacional estaria ocorrendo de forma desordenada em Florianópolis e dizem que a cidade estaria se transformando em um “grande favelão”. Também defendem a adoção de controle migratório na capital catarinense.

Em um dos trechos do vídeo, enquanto aponta para o Morro do Mocotó, Felipe Barcellos afirma: “Esse lixo aqui tá crescendo todo ano e a insegurança da população só sobe. E, como todo o processo de favelização e migração desordenada, os vagabundos estão vindo de brinde”. A fala provocou reações de moradores da comunidade e de usuários nas redes sociais, que passaram a denunciar o conteúdo por racismo e xenofobia.

O Morro do Mocotó fica localizado no Maciço do Morro da Cruz, no Centro de Florianópolis. A ocupação da área teve início no século 18, sendo uma das comunidades mais antigas da cidade. Segundo estimativas da própria comunidade, cerca de 8 mil pessoas vivem atualmente no local. O nome tem origem no prato típico mocotó, preparado na região para alimentar operários e marinheiros à época.

Após a repercussão do vídeo, Felipe Barcellos se manifestou publicamente. Ele afirmou que não se arrepende das declarações e disse que a crítica foi direcionada à situação urbana e à atuação do crime organizado, e não aos moradores. Segundo ele, comunidades como o Morro do Mocotó seriam controladas pelo PGC e haveria uma omissão por parte de lideranças políticas sobre o tema.

Barcellos também negou ter cometido xenofobia. Em nova manifestação, afirmou que defende o fortalecimento das forças de segurança e a reurbanização das comunidades. “A crítica não é aos moradores, mas aos criminosos faccionados que dominam a região”, declarou.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre abertura de investigação ou procedimentos formais relacionados ao caso. As denúncias seguem sob apuração pelas autoridades competentes.

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