Após mais uma prisão de prefeito em Santa Catarina, o estado voltou a virar alvo de deboche, ironias e ataques nas redes sociais, especialmente por parte de influenciadores de fora.
Desta vez, quem puxou a provocação foi o influenciador [Guizão Tocamente a Frente](chatgpt://generic-entity?number=0), que publicou um vídeo com uma musiquinha em tom de deboche, associando a sequência de prisões de prefeitos catarinenses a generalizações contra a população do estado.
O episódio não é isolado. Sempre que grandes operações policiais são deflagradas em Santa Catarina, como Mensageiro, Maestro ou, mais recentemente, a Coleta Seletiva, o estado passa a ser citado em conteúdos irônicos, memes e ataques políticos nas redes sociais. As prisões de gestores públicos, que envolvem diferentes partidos e regiões, acabam sendo usadas como combustível para discursos de ódio, provocações ideológicas e tentativas de rotular toda a população catarinense a partir de crimes investigados pela Polícia Civil.
Desde 2020, Santa Catarina vive uma sequência inédita de prisões de prefeitos, resultado de operações policiais que atingiram municípios de todos os portes. Levantamento com base em ações da Polícia Civil aponta que 29 prefeitos já foram presos, número que representa quase 10% dos 295 municípios catarinenses.
O caso mais recente ocorreu em Garopaba, no Litoral Sul, com a prisão do prefeito Júnior de Abreu Bento (PP) durante a Operação Coleta Seletiva, que apura um esquema de corrupção ligado a contratos públicos, especialmente no serviço de coleta de lixo. A investigação é conduzida pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção da DEIC e é desdobramento de apurações anteriores que já apontavam o prefeito como líder de uma organização criminosa instalada dentro do Executivo municipal, segundo relatório policial.
Mas Garopaba não é um caso isolado. Desde agosto de 2020, prefeitos de todas as regiões do estado foram presos em operações que investigam crimes como fraude em licitação, corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e pagamento de propina. A maioria das prisões ocorreu no âmbito da Operação Mensageiro, considerada a maior ofensiva já realizada contra esquemas de corrupção envolvendo gestores públicos em Santa Catarina.
Confira os prefeitos presos desde 2020
- Orildo Antônio Severgnini (MDB), prefeito de Major Vieira, preso na operação Et Pater Filium.
- Adelmo Alberti (antigo PSL), prefeito de Bela Vista do Toldo, preso na operação Et Pater Filium.
- Beto Passos (PSD), prefeito de Canoinhas, preso na operação Et Pater Filium.
- Deyvisonn Souza (MDB), prefeito de Pescaria Brava, preso na operação Mensageiro.
- Luiz Henrique Saliba (PP), prefeito de Papanduva, preso na operação Mensageiro.
- Antônio Rodrigues (PP), prefeito de Balneário Barra do Sul, preso na operação Mensageiro.
- Marlon Neuber (PL), prefeito de Itapoá, preso na operação Mensageiro.
- Antônio Ceron (PSD), prefeito de Lages, preso na operação Mensageiro.
- Vicente Corrêa Costa (PL), prefeito de Capivari de Baixo, preso na operação Mensageiro.
- Joares Ponticelli (PP), prefeito de Tubarão, preso na operação Mensageiro.
- Luiz Carlos Tamanini (MDB), prefeito de Corupá, preso na operação Mensageiro.
- Adriano Poffo (MDB), prefeito de Ibirama, preso na operação Mensageiro.
- Adilson Lisczkovski (Patriota), prefeito de Major Vieira, preso na operação Mensageiro.
- Armindo Sesar Tassi (MDB), prefeito de Massaranduba, preso na operação Mensageiro.
- Patrick Corrêa (Republicanos), prefeito de Imaruí, preso na operação Mensageiro.
- Luiz Shimoguri (PSD), prefeito de Três Barras, preso na operação Mensageiro.
- Alfredo Cezar Dreher (Podemos), prefeito de Bela Vista do Toldo, preso na operação Mensageiro.
- Felipe Voigt (MDB), prefeito de Schroeder, preso na operação Mensageiro.
- Luiz Antônio Chiodini (PP), prefeito de Guaramirim, preso na operação Mensageiro.
- Clézio José Fortunato (MDB), prefeito de São João do Itaperiú, preso na operação Mensageiro.
- Douglas Elias Costa (PL), prefeito de Barra Velha, preso na operação Travessia.
- Ari Wollinger (Ari Bagúio) (PL), prefeito de Ponte Alta do Norte, preso na operação Limpeza Urbana.
- Gustavo Cancellier (PP), prefeito de Urussanga, preso na operação Terra Nostra.
- Clori Peroza (PT), prefeito de Ipuaçu, preso na operação Fundraising.
- Fernando de Fáveri (MDB), prefeito de Cocal do Sul, preso na operação Fundraising.
- Marcelo Baldissera (PL), prefeito de Ipira, preso na operação Fundraising.
- Mario Afonso Woitexem (PSDB), prefeito de Pinhalzinho, preso na operação Fundraising.
- Clésio Salvaro (PSD), prefeito de Criciúma, preso na operação Caronte.
- Júnior de Abreu Bento (PP), prefeito de Garopaba, preso na operação Coleta Seletiva.
Entre os partidos, o MDB lidera o número de prefeitos presos, com 8 casos, seguido pelo PP, com 6, PL, com 5, e PSD, com 4. Os partidos PSL antigo, Patriota, Republicanos, Podemos, PT e PSDB tiveram um prefeito preso cada. A Operação Mensageiro concentra o maior volume de prisões, com 17 gestores detidos.
A Polícia Civil ressalta que prisão e indiciamento não significam condenação e que todos os investigados têm direito à ampla defesa. Ainda assim, o histórico revela um cenário preocupante de fragilidade institucional, que colocou Santa Catarina entre os estados com maior número proporcional de prefeitos presos nos últimos anos.

