‘Cagou com a praia’: Praia de Palmas, em Governador Celso Ramos, está 100% impropria para banho

Share

A Praia de Palmas, em Governador Celso Ramos, chegou ao pior cenário no monitoramento do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA): todos os sete pontos analisados apareceram como impróprios para banho na atualização divulgada na segunda feira, dia 19. Na semana anterior, eram cinco de sete. Em pleno verão, a praia virou um alerta total para quem entra na água.

O dado não cai do céu. Palmas já teve o selo internacional Bandeira Azul em temporadas passadas, mas perdeu o reconhecimento em 2024 por causa da balneabilidade. O selo considera critérios como qualidade da água e gestão ambiental. Quando uma praia sai desse padrão e volta a acumular resultado ruim, o problema deixa de ser “pontual” e passa a expor falha de controle que deveria ser responsabilidade direta da Prefeitura.

Pelo critério do IMA, a classificação de impróprio está ligada à presença elevada de Escherichia coli, um indicador de contaminação fecal. Um ponto entra como impróprio quando mais de 20% das amostras das últimas cinco semanas ultrapassam 800 por 100 mililitros, ou quando a última coleta passa de 2.000 por 100 mililitros. Ou seja, mesmo com mar bonito e água aparentemente limpa, o risco pode estar ali.

A Prefeitura de Governador Celso Ramos tentou explicar o resultado com a chuva intensa dos últimos dias e disse que o escoamento pode levar sedimentos, materiais orgânicos e “eventual carga poluente” das áreas urbanas para o mar. O discurso, porém, esbarra numa pergunta básica que a gestão evita encarar de frente: se a chuva piora tanto, o que exatamente está sendo levado para a praia e por que isso ainda acontece numa área turística que já perdeu a Bandeira Azul por esse mesmo motivo.

No texto oficial, a Prefeitura afirma esperar que a situação “se restabeleça naturalmente” em dias ou semanas, caso não haja novas precipitações, e cita uma força tarefa chamada Operação Verão, com vistorias no sistema de esgoto e no funcionamento de Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) em prédios e residências, além de fiscalização intensificada. A promessa é agir de forma preventiva e corretiva, mas o resultado de 7 de 7 impróprios sugere que a prevenção não chegou a tempo, e que a correção ainda não mostrou efeito.

Agora, o que fica para o morador e para o turista é a incerteza. A cada chuva, a praia volta ao vermelho. E enquanto a Prefeitura trata o problema como efeito do clima, a conta recai sobre quem quer apenas um banho seguro. O próximo passo, na prática, é acompanhar as próximas coletas do IMA e cobrar da gestão municipal respostas objetivas: onde estão os focos de contaminação, quais irregularidades foram encontradas nas vistorias, que medidas concretas já foram aplicadas e em quanto tempo Palmas vai deixar de depender de “dias ou semanas” para voltar ao mínimo aceitável.

Vídeo: PortalGovernador

Read more

Mais notícias da região