Porto Belo, no Litoral de Santa Catarina, vive dias de revolta, desgaste e sensação de abandono. Moradores de praticamente todos os bairros relataram ficar sem água desde quinta-feira, sem previsão clara de normalização e sem explicações detalhadas por parte da Prefeitura ou da concessionária responsável pelo abastecimento.
As queixas se multiplicaram nas redes sociais ao longo de sábado e domingo. Centro, Perequê, Alto Perequê, Vila Nova e outras regiões aparecem em relatos de moradores que dizem estar há mais de 72 horas sem água nas torneiras. Em alguns casos, famílias afirmam ter recorrido à compra de galões e bombonas apenas para conseguir cozinhar, lavar louça ou preparar mamadeiras para crianças.
“Desde sexta-feira à noite sem água. Hoje já é domingo e ninguém explica nada”, escreveu uma moradora do bairro Vila Nova em mensagem enviada ao Jornal Razão. Segundo ela, a situação não é pontual e atinge toda a cidade. “Não é só aqui. É Porto Belo inteira”, relatou.
A Prefeitura de Porto Belo informou nas redes sociais que o abastecimento teria sido normalizado após o rompimento de uma adutora em Itapema, ocorrido na noite de sábado. No entanto, os comentários na própria publicação oficial contradizem o anúncio. Moradores afirmam que a água não chegou ou voltou apenas com pressão insuficiente para encher caixas.
“Normalizou para quem?”, questionou uma seguidora. “Só acredito quando tiver água na caixa”, disse outra. Há também relatos de água turva e com coloração amarelada quando o fornecimento retorna, situação que aumenta ainda mais a indignação da população.
O tom das críticas se voltou diretamente contra o prefeito Joel Lucinda (MDB). Em comentários públicos, moradores classificam a gestão como despreparada para lidar com o crescimento da cidade e apontam recorrência de rompimentos em adutoras. “Toda vez é a mesma história. Sempre rompendo. Em 2025 já foram vários casos”, escreveu um morador.

A insatisfação também ganhou contornos políticos. Uma enquete realizada nas redes sociais, citada por moradores, aponta rejeição superior a 80% à atual gestão municipal. O dado não tem caráter científico, mas reflete o clima de desgaste e desconfiança expresso nos comentários.
Enquanto a Prefeitura afirma que equipes acompanharam os trabalhos de reparo e que o sistema foi restabelecido, moradores seguem relatando torneiras secas, caixas vazias e ausência de informações claras. Muitos questionam se haverá desconto nas faturas de água pelos dias sem fornecimento.
Até o momento, não houve detalhamento técnico sobre a causa recorrente dos rompimentos nem um cronograma público de obras estruturais para evitar novas interrupções. A população cobra respostas, planejamento e respeito.
O caso segue gerando repercussão e novas manifestações nas redes sociais, enquanto Porto Belo, conhecida como destino turístico e “paraíso” das praias no Litoral Norte de Santa Catarina, enfrenta mais um episódio de crise básica de infraestrutura que atinge diretamente a rotina e a dignidade dos moradores.

