Militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fizeram um protesto em frente ao escritório do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina para cobrar o fim da escala 6×1. O ato aconteceu depois que o presidente Lula enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário.
O movimento citou pelo nome os deputados federais Caroline de Toni, Júlia Zanatta e Daniel Freitas, além do senador Jorge Seif, todos do PL de Santa Catarina. Em um dos cartazes exibidos pelos manifestantes, o rosto da deputada Júlia Zanatta aparece com olhos vermelhos desenhados digitalmente e a frase “inimiga do povo”, ao lado da inscrição “contra o fim da escala 6×1”.
Ato reuniu poucos militantes
O protesto, registrado em vídeos publicados pelos perfis @mtstsc e @mtstbrasil no Instagram, reuniu um pequeno grupo de militantes vestidos com camisetas vermelhas do MTST. Os manifestantes exibiram faixas com os dizeres “Pelo fim da escala 6×1” e utilizaram megafone para discursar na calçada em frente à sede partidária.
O militante Vitor Milesi, que se identificou como integrante do MTST, afirmou que o PL governa Santa Catarina, mas questionou se o partido está “do lado do povo catarinense”. A trabalhadora Janaína, que afirma trabalhar na escala 6×1, participou do ato e disse que “o povo sente na pele” a falta de descanso. “Nós estamos aqui por dignidade, nós estamos aqui por justiça”, declarou.
Projeto de Lula de olho em 2026
O projeto de lei enviado por Lula na terça-feira (14) prevê o fim da escala de seis dias trabalhados por um de descanso, passando para cinco dias de trabalho e dois de folga. A proposta tramita com urgência constitucional, o que obriga a Câmara dos Deputados a analisar o texto em até 45 dias. Caso não seja votado no prazo, a pauta legislativa fica travada.
O envio do projeto é considerado uma das principais apostas eleitorais do governo Lula para 2026. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que vai manter a tramitação da PEC sobre o mesmo tema que já estava em análise, paralelamente ao projeto do governo. “Nós vamos seguir o cronograma da proposta de emenda à Constituição”, disse Motta.
Economistas alertam para riscos
Enquanto movimentos ligados ao governo pressionam nas ruas, economistas alertam que a mudança pode gerar inflação e custar mais de meio milhão de empregos formais. Estudos apontam que a redução da jornada sem ajuste proporcional dos salários elevará o custo do trabalho, podendo repetir ou agravar os efeitos da recessão de 2014-2016.
A bancada catarinense do PL não se manifestou publicamente sobre o protesto do MTST até a última atualização.

