Carlos tem 48 anos e mora em São José do Cerrito, na Serra Catarinense. Com quase 250 quilos, ele enfrenta diariamente as limitações de uma obesidade grave que começou a se agravar em 2005. Mesmo assim, é ele quem cuida da avó, uma idosa acamada que depende da sua ajuda para tudo.
As dificuldades financeiras impedem Carlos de custear um tratamento. A medicação que poderia mudar a sua vida, conhecida popularmente como caneta emagrecedora, custa caro e está fora da realidade de quem mal consegue manter as contas em dia. Mas a esperança chegou até a porta da sua casa.
14 quilos a menos em 21 dias
Conforme relato do deputado estadual Sérgio Motta (Republicanos), que visitou Carlos ao lado da prefeita de São José do Cerrito, Tainara Raitz (MDB), o morador já teve uma experiência com as canetas emagrecedoras e chegou a perder 14 quilos em apenas 21 dias. Os resultados mostraram que o corpo de Carlos responde bem ao tratamento.
Apesar do peso e das limitações, Carlos já faz acompanhamento com uma profissional de educação física e é descrito por quem o conhece como uma pessoa dedicada. “O Carlinhos é dedicado em tudo que ele faz”, disse a prefeita Tainara Raitz durante a visita.
‘Eu olhei para ele e me vi ali’
Sérgio Motta, que perdeu 34 quilos com o uso do mesmo medicamento sob acompanhamento médico, disse ter se identificado com a história de Carlos. “Eu olhei para o Carlos e eu me vi ali. Por isso, nós vamos batalhar por esse projeto para que chegue a toda a população que precisa dele”, afirmou o deputado.
Motta é autor do Projeto de Lei 0766/2025, que tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e propõe a distribuição gratuita da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, pelo SUS para pacientes com obesidade grau III e renda familiar de até três salários mínimos. O governador Jorginho Mello (PL) se comprometeu a reestruturar e relançar a proposta pelo Executivo.
Município será projeto-piloto
A prefeita Tainara Raitz confirmou que São José do Cerrito será projeto-piloto do programa. Carlos terá acompanhamento de médicos, enfermeiros e equipe multidisciplinar completa, além do fornecimento da medicação. O objetivo é que o caso sirva de modelo para a aplicação da política em todo o estado.
“Nós, município, queremos trazer essa oportunidade para que façamos um projeto-piloto”, disse a prefeita, que destacou o histórico familiar de Carlos e a necessidade de oferecer qualidade de vida a quem convive com a doença.

