O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abandonou de vez o personagem que o levou de volta ao Palácio do Planalto em 2022. Em Salvador (BA), durante o evento de 46 anos do PT, Lula declarou que a eleição de 2026 será uma “guerra” e decretou o fim do discurso do “Lulinha paz e amor”.
A fala não foi um “deslize retórico”. Foi um recado direto, duro e calculado. Diante da militância, Lula defendeu enfrentamento aberto, incentivou reações agressivas contra críticas ao governo e afirmou que não há mais espaço para “moderação política”. Para ele, quem divulgar notícia contra o governo deve ser “mandado para aquele lugar”. O tom é de confronto total.
O discurso escancara uma contradição evidente. Em 2022, Lula se vendeu ao país como o candidato da pacificação, do diálogo e da “reconstrução democrática”. Falava em unir o Brasil, baixar a temperatura política e curar feridas. Criticava o “discurso de ódio”. Agora, o mesmo Lula classifica a eleição como “guerra” e cobra que o partido seja mais “desaforado” do que a oposição.
Não se trata apenas de mudança de tom, mas de estratégia. O presidente abandonou publicamente a narrativa de conciliação e passou a apostar na radicalização do discurso, tratando adversários como inimigos e o processo eleitoral como um campo de batalha. A retórica de união deu lugar à lógica do “nós contra eles”.
Ao reforçar que a democracia estaria em risco e acusar o governo anterior de tentar implantar um “país fascista”, Lula volta a usar o medo como ferramenta política. A reeleição deixa de ser apresentada como uma escolha administrativa e passa a ser vendida, às claras, como uma cruzada ideológica, onde qualquer oposição é colocada como “ameaça ao regime democrático”.
O recado interno ao PT também foi claro. Lula cobrou alianças “a qualquer custo” e deixou explícito que vencer a eleição está acima de disputas internas ou escrúpulos políticos. Segundo ele, acordos são apenas “tática”, desde que garantam a vitória.
Na prática, o discurso desmonta a farsa do Lula e da esquerda “paz e amor”. O presidente que chegou ao poder prometendo paz agora convoca guerra política. O líder que falava em diálogo agora estimula o confronto. E o candidato que em 2022 pediu serenidade agora assume, sem rodeios, que a próxima eleição será travada no grito, na pressão e no embate permanente.

