Enquanto o Porto de Itajaí é entregue para o comando da Companhia Docas da Bahia (Codeba), o que se vê nas ruas da cidade é um cenário de desordem, buzinaço e congestionamentos que tem tirado o sossego de quem vive e trabalha na região.
As filas de caminhões se estendem por bairros inteiros, como São João e Cordeiros, bloqueando ruas, atrasando trabalhadores e dificultando o acesso a serviços básicos. Desde a madrugada desta sexta-feira (24), motoristas aguardam por horas para conseguir acesso ao pátio do porto, o que resultou em buzinaços, discussões e paralisações momentâneas.
De acordo com os relatos, o problema teria começado após uma falha no sistema de agendamento e na liberação de senhas. A empresa JBS, que opera provisoriamente o terminal sob arrendamento transitório, teria liberado um número excessivo de caminhões de uma só vez, o que causou engarrafamento e desorganização na entrada do porto.

“Não pode penalizar a população por um erro que está acontecendo lá dentro. A empresa JBS não está dando conta de colocar todos os caminhões para dentro, ela soltou um monte de senha e chamou muito caminhão ao mesmo tempo”, afirmou o prefeito Robison Coelho (PL), que esteve no local acompanhando a situação.
O prefeito reforçou que o município está exigindo providências da Autoridade Portuária Federal e destacou que, embora o porto seja um equipamento estratégico para a economia catarinense, é preciso haver ordem e planejamento.
“Nós somos uma cidade portuária e dependemos da movimentação de cargas, mas precisamos crescer com organização. Aqui fora, quem comanda somos nós, e vamos cobrar que haja ordem para não prejudicar as pessoas que não têm nada a ver com a atividade portuária”, completou.
O impasse ocorre no mesmo momento em que o governo federal oficializou a transferência da gestão do Porto de Itajaí da Autoridade Portuária de Santos (APS) para a Companhia Docas da Bahia (Codeba). A medida será temporária, até a criação da Companhia Docas de Santa Catarina (CDSC), estatal que deverá assumir o porto dentro de aproximadamente um ano.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a decisão busca “dar maior autonomia ao Porto de Itajaí” e liberar a Autoridade Portuária de Santos para focar no maior terminal do país. No entanto, a mudança ocorre em meio a críticas e incertezas locais, já que o município havia defendido manter a autoridade portuária sob controle catarinense.
“Defendemos que o melhor modelo seria com o município. Foi uma decisão do governo federal seguir com a federalização, primeiro com Santos e agora com a Codeba, da Bahia. Enquanto isso, o porto precisa continuar movimentando, mas com ordem. Progresso exige planejamento”, declarou Robison.
Enquanto as autoridades discutem responsabilidades, Itajaí enfrenta dias de caos urbano. Caminhoneiros alegam que o atraso na liberação das cargas os obriga a permanecer por horas nas filas, sem estrutura adequada para descanso, banheiro ou alimentação. “Quando a fila demora, o motorista fica agoniado. Ele precisa se hidratar, ir ao banheiro, descansar. Mas está tudo travado”, relatou um caminhoneiro que aguardava na fila.
Em meio à transição política e à lentidão operacional, o Porto de Itajaí, símbolo histórico do desenvolvimento do Vale, parece caminhar sem rumo definido. A cidade, que depende diretamente da atividade portuária, agora enfrenta o desafio de equilibrar progresso e caos — uma combinação que, nos últimos dias, deixou claro o tamanho do descompasso entre as promessas de Brasília e a realidade das ruas catarinenses.
