O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), usou as redes sociais nesta segunda-feira (13) para rebater o que chamou de tentativa da esquerda de associá-lo à Operação Dose Extra, que investiga fraudes milionárias no SC Saúde, o plano de saúde dos servidores estaduais. O detalhe que a oposição tenta esconder, segundo o governador, é que a própria investigação nasceu de uma auditoria pedida pelo governo.
“A operação foi feita a nosso pedido. A Polícia Civil identificou os criminosos”, afirmou Jorginho Mello em vídeo publicado nas redes sociais. O governador criticou diretamente perfis ligados ao PT que usaram sua imagem para tentar vinculá-lo ao esquema. “A turma do PT é sem vergonha. Colocam a minha foto, esses picaretas”, disse.

Jornal Razão apura identidade dos investigados
O Jornal Razão apurou com exclusividade a identidade dos investigados na operação. Conforme levantamento da reportagem, são alvos da investigação 6 médicos, 5 advogados e 4 empresários, além de 5 empresas que foram proibidas pela Justiça de contratar com o Estado de Santa Catarina. Todos são investigados e têm a presunção de inocência garantida até eventual decisão judicial transitada em julgado.
Empresários investigados
Paulo Macitelli Bastos, Andreos Coronel, Jessica Silva Botelho e Valeska da Silva Motta são os empresários investigados na operação. Conforme a Polícia Civil, eles estariam à frente de empresas que forneciam órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) com valores superfaturados.

5 empresas proibidas de contratar com o Estado
As cinco empresas alvo da operação são: Orthoprime Comércio de Produtos Médicos e Hospitalares, sediada em Florianópolis; Mayo Medical Import Ltda; Action Distribuidora de Produtos Ortopédicos, também em Florianópolis; ICSUL (Implantcast Sul Comércio de Produtos Correlatos e Saúde), em Palhoça; e Bioregen Ltda. As investigações apontam que, embora tivessem nomes distintos, algumas dessas empresas pertenciam ao mesmo grupo econômico, simulando concorrência para mascarar o superfaturamento.
Médicos investigados
São investigados os médicos Caio Cesar Martins Vieira, Cassio Alves Konrath, Delson Valdemir Pessin, Tiago Fernandes Heringer, William Feijó Scharf e Williann Kenny Hendges. Conforme a Polícia Civil, os médicos indicavam propositalmente fornecedoras ligadas ao mesmo grupo econômico para simular concorrência e justificar os preços elevados dos materiais cirúrgicos.

Advogados investigados
Também são investigados os advogados Kelly Cristina de Aguiar, Marcela Patrícia Amarante Borba, Maíra Barros Anselme, Cristiane Ribeiro da Silva Marco Antônio e Leonardo Ribeiro Marco Antônio. Segundo as investigações, os advogados teriam papel central no esquema ao judicializar os pedidos de cirurgia negados administrativamente pelo SC Saúde, apresentando orçamentos com valores muito acima do mercado.

Cirurgia de R$ 29 mil cobrada por R$ 600 mil
A Operação Dose Extra foi deflagrada na última quinta-feira (9) pela Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR/DEIC) da Polícia Civil. Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.
Conforme a Polícia Civil, o grupo usava negativas administrativas do SC Saúde para judicializar pedidos de cirurgias de coluna por via endoscópica e apresentar orçamentos superfaturados. Em um dos casos, uma cirurgia que custaria cerca de R$ 29 mil foi cobrada por mais de R$ 600 mil via decisão judicial. A análise de apenas 33 procedimentos já revelou prejuízo estimado em R$ 6 milhões aos cofres públicos.

A Justiça determinou a apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação, além da indisponibilidade de bens até R$ 10 milhões dos envolvidos. Como os valores foram contabilizados até meados de junho de 2025, a Polícia Civil aponta que o rombo pode ser ainda maior.
Sem envolvimento de servidores públicos
Um ponto central destacado tanto pelo governo quanto pela Polícia Civil é que não há indícios de participação de servidores públicos no esquema. O grupo investigado era inteiramente externo à estrutura do Estado.

Jorginho rebate esquerda e defende atuação da polícia
No vídeo publicado nesta segunda-feira, Jorginho Mello também lembrou que prefeitos de Santa Catarina foram presos durante sua gestão. “Eles adoram falar que Santa Catarina teve prefeitos presos, mas sabe o que não falam? É que foi preso pela nossa polícia. A gente prende quem faz coisa errada, não interessa o partido”, afirmou.
O governador fez comparações diretas com escândalos atribuídos ao PT, como o mensalão e desvios na Petrobras. “Aqui em Santa Catarina a polícia funciona. É por isso que temos os melhores índices do país”, completou.

Investigação continua
Os investigados respondem por organização criminosa e estelionato majorado. Todo o material apreendido será periciado pela Polícia Científica, e a DECOR/DEIC segue com as investigações para identificar outros possíveis envolvidos. Até o fechamento desta reportagem, não havia informação pública sobre manifestação da defesa dos investigados.

