O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), publicou um longo texto no X na manhã desta terça-feira (15) com ataques diretos a um grupo político. Sem citar nomes, Carlos chamou os adversários de “grupelho” e os acusou de arquitetar “um projeto de poder à margem de qualquer princípio moral que dignifique um ser humano” há anos no estado.
Conforme o contexto das disputas internas do PL catarinense, o alvo principal é a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que desde o final de 2025 se tornou a principal voz pública contra a candidatura de Carlos ao Senado por Santa Catarina. Campagnolo questionou a chegada do ex-vereador carioca ao estado como uma imposição “de cima para baixo” e defendeu que o PL catarinense tinha lideranças próprias para representar o eleitorado conservador.
A publicação, porém, vai além da disputa local. O texto de Carlos traz para o cenário catarinense o racha que divide o bolsonarismo em nível nacional: de um lado, os filhos de Jair Bolsonaro, que defendem que todas as decisões políticas devem seguir a orientação do ex-presidente; do outro, o grupo liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), acusado pelos filhos de falta de lealdade e de buscar protagonismo político próprio. Ana Campagnolo é apontada como a principal representante desse segundo grupo em Santa Catarina.
No texto, Carlos afirmou que a presença da família em SC “provocou mais um verdadeiro cataclisma no sistema”. Segundo ele, o grupo combatido surgiu na política com “uma estrutura robusta, organizada e moldada, com estratégia definida e passos milimetricamente executados, com ou sem partidos”, com o objetivo de “ocupar, a qualquer custo, o espaço de quem construiu uma liderança legítima, ainda que para isso tentem aniquilá-la”.
Racha se arrasta desde 2025
O confronto entre Carlos e Campagnolo se arrasta desde outubro de 2025. Na ocasião, a deputada estadual afirmou que a chegada de Carlos ao estado empurrou a deputada federal Caroline de Toni para fora do PL. Carlos reagiu chamando as declarações de “mentira” e “baixaria”. O irmão Eduardo Bolsonaro também entrou na briga, classificando a postura de Campagnolo como “inaceitável” e afirmando que ela usava “uma régua contra meu irmão que jamais aplicou a si mesma”.
Campagnolo, por sua vez, sempre rebateu dizendo que sua posição refletia o que a maioria dos catarinenses e dos dirigentes locais do PL pensavam, mas não tinham coragem de dizer publicamente.
A disputa nacional se intensificou em fevereiro de 2026, quando Eduardo acusou Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro de estarem com “amnésia” por não apoiarem ativamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O senador Flávio chegou a publicar um vídeo pedindo “racionalidade” e união, classificando a situação como “muito angustiante”. Apesar do apelo, Eduardo e Nikolas voltaram a trocar farpas publicamente no início de abril.
Lançamento marcado para maio
A chapa do PL ao Senado em Santa Catarina foi definida por Jair Bolsonaro com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, que acabou migrando para o Novo após perder espaço no PL com a chegada de Carlos. O lançamento oficial da pré-candidatura está marcado para 9 de maio, em Florianópolis, com a presença de Flávio Bolsonaro e do governador Jorginho Mello, que concorrerá à reeleição.
A pesquisa AtlasIntel de abril aponta Caroline de Toni na liderança com 30,7% das intenções de voto para o Senado, seguida por Esperidião Amin (PP) com 20,1% e Carlos Bolsonaro em terceiro com 18,3%. A eleição para o Senado em Santa Catarina terá duas vagas em disputa.
Carlos encerrou o texto afirmando que “o despertar que Jair Bolsonaro provocou em milhões de brasileiros” mantém todos vigilantes, e finalizou com a bandeira “Deus, Pátria, Família e Liberdade!”.
Leia a íntegra do texto de Carlos Bolsonaro
“Hoje, tenho plena convicção de que, ao estar em Santa Catarina, provocamos mais um verdadeiro cataclisma no sistema atingindo em cheio um grupelho que, há anos, vinha arquitetando um projeto de poder à margem de qualquer princípio moral que dignifique um ser humano.
Quando conectamos os fatos, o timing e os movimentos, tudo se torna claro. Não é comum alguém “descobrir” a política de uma hora para outra, muito menos surgir já com uma estrutura robusta, organizada e moldada, com estratégia definida e passos milimetricamente executados, com ou sem partidos. Isso não é acaso. Isso revela intenção. Revela método. Revela um objetivo claro: ocupar, a qualquer custo, o espaço de quem construiu uma liderança legítima, ainda que para isso tentem aniquilá-la.
E onde há esse tipo de prática, não há patriotismo, não há amor, não há respeito, não há boa intenção, não há gratidão. Não há absolutamente nada que sustente um projeto verdadeiramente voltado ao bem do país.
O movimento é nítido: de dentro para fora tentaram mais uma vez usurpar, vilipendiar, calar e assassinar Jair Bolsonaro, objetivando capturar sua base, seus eleitores e sua identidade popular. Desta vez, tentaram dar um ar de naturalidade, usando os mais baixos artifícios de conquista, mas falharam, e falharam de forma evidente, mais uma vez.
O sistema é bruto. Mas o despertar que @jairbolsonaro provocou em milhões de brasileiros também é. E é esse despertar que nos mantém vigilantes. Todos aqueles que defendem os valores que moldam a nossa sociedade seguirão atentos. Haverá sacrifícios. Haverá batalhas. Mas foi assim que o Brasil despertou e é assim que seguirá.
E afirmo com total tranquilidade: acertamos em cheio mais uma vez. E ainda há, sim, esperança para o nosso amado Brasil.
Deus, Pátria, Família e Liberdade!”

