Amin diz ter ‘maior apreço’ por Messias, mas votará contra indicação ao STF: ‘triste’

Share

ASSISTA AO VÍDEO

O senador catarinense Esperidião Amin (PP-SC) declarou nesta quarta-feira (29) que vai votar contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio foi feito durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em discurso emocionado dirigido diretamente ao indicado.

Conforme o pronunciamento, Amin afirmou ter “o maior apreço pessoal” por Messias, mas explicou que o voto contrário tem motivação institucional, e não pessoal. O parlamentar disse que está votando contra um processo de enfraquecimento do Supremo, não contra a trajetória do AGU.

A justificativa de Amin

Em sua fala, o senador catarinense afirmou que o STF vem sendo desmoralizado por dentro, e não por pressões externas. Amin disse que não poderia endossar o que classificou como uma “perversão política inventada”.

Tenho o maior apreço pessoal por vossa excelência. E o senhor sabe disso. Mas eu não posso votar a favor da sua indicação. Vou votar não. Triste! Mas vou votar não contra uma pessoa. Voto contra um processo que está desmoralizando o Supremo Tribunal Federal, está sendo desmoralizado não por vândalos de fora, mas por ações conscientes, premeditadas, situados os seus autores dentro daquela instituição. Eu não posso votar a favor da continuidade desta perversão política inventada.

Bancada catarinense dividida

A posição de Amin se soma a outro voto contrário declarado pela bancada de Santa Catarina. O senador Jorge Seif (PL-SC) também se posicionou contra a indicação. A senadora Ivete da Silveira (MDB-SC) ainda não havia se manifestado publicamente sobre o tema até a publicação desta reportagem.

A oposição do senador catarinense contraria a orientação do presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), que declarou apoio ao indicado de Lula.

Como funciona a votação

Jorge Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro de 2025 para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A indicação foi formalizada em abril de 2026.

Para ser aprovado, o nome precisa de pelo menos 14 votos favoráveis na CCJ, que tem 27 integrantes. Caso passe pela comissão, a indicação segue ainda nesta quarta-feira para o plenário do Senado, onde precisa de no mínimo 41 votos dos 81 senadores. Em ambas as etapas, a votação é secreta.

Manobras na composição da CCJ

Às vésperas da sabatina, o governo articulou substituições na composição da comissão para reforçar a base. O senador Sergio Moro (PL-PR) foi retirado da CCJ e substituído por Renan Filho (MDB-AL). Também houve a troca de Cid Gomes (PSB-CE) por Ana Paula Lobato (PSB-MA).

Segundo levantamento de aliados do governo, a expectativa é de aprovação tanto na comissão quanto no plenário, com projeção de pelo menos 44 votos favoráveis na sessão final. A oposição articula um voto secreto de rejeição que, se confirmado, seria a primeira derrota de uma indicação presidencial ao STF desde 1894.

A sessão na CCJ segue em andamento. O resultado da votação na comissão e do plenário deve sair ainda nesta quarta-feira.

Read more

Mais notícias da região