A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a 2ª fase da Operação Coleta Seletiva, em Garopaba, no Litoral Sul do estado, e prendeu três pessoas apontadas como peças centrais de um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos. Entre os presos estão o prefeito Júnior de Abreu Bento (Progressistas), o empresário Joaquim Pacheco, proprietário da empresa Resamb, responsável pela coleta de lixo no município, e o servidor Silas Gonçalves, pregoeiro e responsável pelos processos licitatórios. As informações foram confirmadas e divulgadas em primeira mão pelo Jornal Razão.

A ação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção da DEIC e mobilizou cerca de 50 policiais civis, com cumprimento simultâneo de ordens judiciais em Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão. Ao todo, foram executados três mandados de prisão preventiva, dois afastamentos cautelares de secretários municipais, 16 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e valores que se aproximam de R$ 1 milhão. Os presos foram encaminhados ao Presídio Regional de Tubarão.
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado da conclusão do Inquérito Policial nº 637.2025.0001, que apurou um esquema de corrupção sistêmica envolvendo fraudes em licitações, direcionamento de contratos e repasses de valores indevidos a agentes políticos. As investigações apontam que o esquema teria começado ainda em 2016, atravessado diferentes gestões municipais e permanecido ativo de 2021 até os dias atuais, mesmo após a alternância no comando da Prefeitura de Garopaba.

De acordo com a corporação, além do atual prefeito, as medidas cautelares também atingem o ex-prefeito de Garopaba e o atual prefeito de Pescaria Brava, que são alvos de diligências no mesmo inquérito. Eles são do PSD e PP, respectivamente.

Os afastamentos cautelares recaíram sobre dois secretários municipais, considerados estratégicos para o funcionamento do esquema investigado.
A Operação Coleta Seletiva é um desdobramento direto da Operação Maestro, iniciada em 2024. Em relatório concluído meses antes das prisões, a Polícia Civil já havia indiciado Júnior de Abreu Bento como líder de uma organização criminosa instalada dentro do Executivo municipal. Segundo o documento assinado pelo delegado da DECOR, o prefeito exerceria controle direto sobre licitações, execuções contratuais e pagamentos, com poder para decidir quem venceria certames e quem seria beneficiado com recursos públicos.

O relatório da Operação Maestro reuniu indícios obtidos por meio de quebra de sigilos, perícias, análise de mensagens, depoimentos e rastreamento financeiro. Conforme a Polícia Civil, foram identificadas movimentações incompatíveis com a renda declarada do prefeito, além de prejuízos comprovados aos cofres públicos em contratos de obras e serviços. A corporação afirma que os crimes investigados incluem fraude à licitação, organização criminosa, pagamento irregular e uso indevido de recursos públicos.
A prisão do empresário Joaquim Pacheco, dono da Resamb, ocorre em meio a um histórico recente de reclamações recorrentes da população sobre falhas na coleta de lixo, especialmente durante o período de alta temporada. Moradores de bairros como Areias de Palhocinha, Macacu, Siriú e Ambrósio relataram acúmulo de resíduos, atrasos frequentes e lixo espalhado nas ruas durante as festas de fim de ano, quando o fluxo de turistas aumenta de forma significativa na cidade.

À época, moradores afirmaram que a coleta, prevista para ocorrer até três vezes por semana em algumas regiões, vinha sendo realizada de forma irregular, com intervalos de até sete dias sem passagem do caminhão. Houve relatos de mau cheiro, lixo rasgado por animais e risco à saúde pública, além de queixas sobre a falta de resposta efetiva da empresa e do poder público. Procurado anteriormente, Joaquim Pacheco havia negado acúmulo de lixo e atribuído os problemas a fatores operacionais e ao aumento da demanda.
A Polícia Civil destaca que, nesta fase da investigação, o indiciamento e as prisões não equivalem a condenação, e que os fatos seguem sob apuração judicial. As representações foram formuladas pela 2ª DECOR/DEIC e autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, com parecer favorável do Ministério Público. Novas informações só deverão ser divulgadas após autorização judicial, em razão do sigilo que ainda envolve parte do processo.
A defesa do prefeito já havia se manifestado anteriormente, afirmando discordar das conclusões da Polícia Civil e sustentando que não há provas de enriquecimento ilícito ou recebimento de vantagens indevidas. As investigações continuam.

