Chuvas extremas à vista: El Niño pode castigar SC e estado tenta evitar catástrofe

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O El Niño voltou ao radar dos meteorologistas. Conhecido por alterar os padrões de chuva em grande parte do país e, na Região Sul do Brasil, seu principal efeito é o aumento significativo no volume de precipitações. Em Santa Catarina, isso se traduz em risco elevado de enchentes, deslizamentos e inundações, especialmente nas bacias hidrográficas com ocupação urbana nas margens dos rios.


Segundo os meteorologistas da Defesa Civil estadual, os indicativos já apontam para chuvas acima da média no estado ao longo deste ano, principalmente no segundo semestre, o que exige monitoramento contínuo e planejamento preventivo para que as equipes possam agir com antecedência.


O último episódio do fenômeno, entre 2023 e o início de 2024, deixou marcas profundas. Em outubro de 2023, após dias consecutivos de chuva intensa, o nível dos rios subiu rapidamente e provocou inundações em diversos municípios do Alto Vale do Itajaí. A experiência serviu como alerta e reforçou a necessidade de investimentos estruturantes.


A resposta do Estado

Diante da previsão de nova atuação do El Niño, Santa Catarina intensifica a preparação contra desastres naturais. Apenas no Alto Vale do Itajaí, o governo estadual aplica mais de R$ 485 milhões em obras e ações estratégicas de prevenção.


Conforme a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, o principal eixo de investimento é o sistema de barragens: R$ 324 milhões são destinados à recuperação, modernização e melhorias operacionais nas estruturas existentes, além de estudos para novas soluções de contenção. As barragens são consideradas fundamentais para reter e controlar o volume de água durante períodos de chuvas intensas, reduzindo o impacto nas cidades a jusante.


Outros R$ 133 milhões foram aplicados em limpeza, desassoreamento e melhoramento de rios, ampliando a capacidade de escoamento e reduzindo o risco de transbordamentos em áreas urbanas.

Tecnologia e monitoramento

Na área de monitoramento, a rede de estações hidrometeorológicas está sendo ampliada de 42 para 172 unidades, com previsão de conclusão até o fim de 2026. A expansão permitirá o acompanhamento em tempo real de chuva, nível dos rios e vento em todo o estado.


Desde 2023, o Estado já entregou mais de 196 kits de pontes para restabelecer acessos em áreas afetadas e equipamentos para todas as defesas civis municipais.

Ação integrada


O secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt, destacou que a atuação é integrada. Segundo ele, os investimentos abrangem barragens, melhoramentos fluviais, tecnologia de monitoramento e fortalecimento das defesas civis municipais. Hildebrandt também mencionou que já foram realizadas duas edições do Simulado Geral de Desastres, a mais recente com participação de 294 municípios.


Além da estrutura preventiva, mais de R$ 40 milhões foram aplicados em assistência humanitária desde 2023, com distribuição de itens essenciais às famílias atingidas. O Estado mantém ainda três estruturas regionais com estoque para abastecer rapidamente os municípios que solicitarem apoio. O caso segue em acompanhamento contínuo pela Defesa Civil estadual.

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