Homem que resgatou baleia em SC rompe o silêncio e defende Ibama: “Não houve negligência”

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Três dias após o vídeo viral que emocionou o país, o homem que aparece retirando uma rede de pesca de uma baleia-franca em Palhoça, na Grande Florianópolis, decidiu romper o silêncio. Em um novo vídeo divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira (17), ele confirmou ser o autor da ação — mas surpreendeu ao sair em defesa do Ibama, órgão federal responsável pela fiscalização ambiental no país.

A baleia, que nadava com um filhote, ficou presa por quase 72 horas na Praia da Ponta do Papagaio. Mesmo assim, o Ibama orientou que ninguém se aproximasse, alegando que o animal poderia conseguir se livrar da rede sozinho.

O surfista, que usou uma prancha de stand-up e uma faca escondida na manga, decidiu agir por conta própria e libertou a baleia. O resgate foi filmado e ultrapassou 6,3 milhões de visualizações, emocionando o Brasil.

Mas em vez de criticar os órgãos responsáveis pela demora, o homem adotou outro tom.

“Não houve negligência. O Ibama estava fazendo seu papel. Não dá pra sair apontando o dedo sem entender o processo”, afirmou no vídeo.

A fala dividiu opiniões nas redes, especialmente porque ele mesmo confirma que o animal já estava há dias preso e quieto, sem conseguir se libertar. Mesmo assim, reforçou:

“Eu não estou aqui pra ser herói. Só fiz o que precisava ser feito. Mas não acho certo culpar quem estava tentando agir dentro da lei.”

Sai do anonimato após ver tentativas de golpe

Segundo o surfista, sua intenção inicial era permanecer anônimo. Ele só decidiu se identificar após ver outras pessoas tentando se passar por ele e pedindo dinheiro pela internet.

“Eu não ia aparecer. Mas aí vi gente dizendo que era o herói, que foi quem salvou a baleia, e ainda pedindo vaquinha. Aí não deu. Eu não apareci por vaidade, apareci porque fizeram isso virar mentira.”

Pode ser multado por ajudar

Mesmo tendo salvado a vida do animal, o surfista agora pode ser punido com uma multa de até R$ 2,5 mil. Isso porque, segundo uma portaria conjunta do Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio, publicada em janeiro de 2024, apenas equipes autorizadas e treinadas podem fazer o desenredamento de baleias.

A norma exige uso de embarcação, condições adequadas de mar e visibilidade, registro da operação e aviso ao ICMBio em até 30 dias. Fora desses parâmetros, o ato é considerado molestamento de cetáceos, passível de punição.

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