Na virada de sábado (12) para a madrugada de domingo (13), Balneário Camboriú registrou um episódio incomum — e difícil de explicar à primeira vista. Três bombas da Estação Elevatória de Esgoto da Rua 3700, uma das mais estratégicas da cidade, queimaram quase simultaneamente. A bomba de reserva, que deveria atuar em situações emergenciais, também queimou.
O que levou quatro equipamentos essenciais de um sistema crítico a falharem juntos, em sequência, é o que a prefeitura pretende investigar com uma sindicância interna, anunciada pela EMASA (Empresa Municipal de Água e Saneamento) para começar nesta segunda-feira (14).
Com o sistema comprometido, o resultado foi o despejo emergencial de cerca de 400 litros de esgoto por segundo no rio que atravessa a cidade — curso d’água que deságua diretamente no mar, atingindo o ambiente natural de uma das principais vitrines turísticas do litoral catarinense.
A coincidência não passou despercebida
Em menos de 15 dias, quatro bombas em diferentes pontos do sistema municipal de esgoto queimaram. Não há registro recente de uma sequência semelhante. O momento chama atenção. Mesmo técnicos experientes da própria EMASA consideraram o cenário extremamente atípico.
“Nunca vimos uma sequência assim. Vamos apurar com profundidade para entender se houve falha técnica acumulada, negligência ou se estamos lidando com algo mais sério”, disse o diretor-presidente da EMASA, Auri Pavoni.
A declaração pública reforça o que parte da população já vinha comentando nas redes sociais: que o caso não parece ser apenas um problema técnico convencional.
“Três bombas queimadas e ainda a reserva? Não parece acaso”, escreveu uma moradora.
“Tem algo errado aí. Que investiguem direito.”
Ação rápida e suspeitas no ar
Logo após a falha, a EMASA mobilizou uma força-tarefa com 11 caminhões hidrovácuo para conter o esgoto. As bombas de reposição foram acionadas de Criciúma e começaram a ser instaladas já no domingo.
Durante os trabalhos, técnicos constataram falhas antigas na rede — especialmente em áreas de expansão urbana — que podem ter contribuído para a sobrecarga. Mas isso por si só não explica a sequência de queimas. A sindicância vai analisar se houve erro de operação, falhas contratuais, desgaste não previsto ou alguma intervenção externa no sistema.
Risco ambiental e reputacional
Com o sistema operando de forma emergencial, os impactos já são sentidos não só tecnicamente, mas também na imagem da cidade. A descarga de 400 litros por segundo no rio levanta preocupações sobre balneabilidade, meio ambiente e o próprio verão que se aproxima.
A EMASA afirma estar monitorando a qualidade da água e que tomará medidas de mitigação caso o despejo cause alterações nos padrões sanitários.
O que a sindicância precisa responder
Neste momento, ainda não está claro o que levou quatro equipamentos de diferentes pontos do sistema a queimarem em sequência. Foi coincidência extrema? Uma falha técnica que passou despercebida? Ou houve algum tipo de ação que possa ter interferido no funcionamento dos equipamentos?
A resposta oficial ainda não veio. Mas a sindicância deve ajudar a entender se o colapso foi apenas um acidente de proporções incomuns — ou se há algo mais por trás.

