‘Fora Lula!’: motoboys de Balneário Camboriú e Itajaí protestam em SC

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Mais de 350 motoboys paralisaram os aplicativos de entrega e tomaram as ruas de Itajaí na noite desta quinta-feira (26) em um protesto que misturou reivindicações trabalhistas e insatisfação com o governo federal. O grupo se concentrou no estacionamento da Havan, no bairro Fazenda, a partir das 18h, e seguiu em carreata até Balneário Camboriú com faixas, cartazes e gritos de “Fora Lula”.

A mobilização foi organizada pela própria categoria, que convocou os entregadores de toda a região do Vale do Itajaí. Uma faixa que se tornou símbolo do ato trazia a frase “A força que move o app”, estendida entre as motos e bags de entrega alinhadas no chão.

As reivindicações

A categoria apresentou quatro demandas principais: taxa mais justa nas corridas de entrega, criação de um sistema de auxílio para motoboys acidentados, instalação de um ponto de apoio fixo na região e o fim da exigência de um curso obrigatório para exercer a profissão.

Segundo os manifestantes, o custo de vida, do combustível e da manutenção aumentou, mas o valor das corridas não acompanhou. “Quando um motoboy cai, fica sem renda. Sem apoio. Sem proteção”, diz trecho do manifesto distribuído nos grupos da categoria.

Protesto político

Além das pautas trabalhistas, o ato ganhou forte tom político. Diversos cartazes traziam as frases “#Fora Lula” e “#Curso NÃO”, colados nas bags e nas motos. Um dos cartazes que mais chamou atenção provocava: “Se o presidente não tem nem a quinta série, por que eu preciso de curso pra fazer entrega?”.

A obrigatoriedade do curso para motofretistas é prevista na Lei 12.009, de 2009, mas a fiscalização se intensificou nos últimos meses em diversas regiões do país. A categoria responsabiliza o governo federal pelo endurecimento das cobranças e também se opõe ao PLP 152/2025, conhecido como “Lei dos Apps”, que tramita na Câmara dos Deputados e prevê novas regras de regulamentação para o setor.

Os entregadores argumentam que milhares de jovens entre 18 e 21 anos dependem da moto para sobreviver, e que a exigência do curso dificulta a entrada na profissão. “Nós não somos o problema. Somos parte da solução”, afirma o manifesto da categoria.

Cena do protesto

No estacionamento da Havan, os motoboys alinharam dezenas de bags de entrega no chão junto à faixa principal, formando uma espécie de barricada simbólica. Cartazes escritos à mão pediam dignidade, fim do curso obrigatório e criticavam o governo. Trabalhadores de colete refletivo organizavam a concentração antes da saída em carreata.

A mobilização seguiu pelas ruas de Itajaí em direção a Balneário Camboriú, com os entregadores buzinando e exibindo os cartazes presos às motos. O ato gerou grande repercussão nas redes sociais, com vídeos e fotos que acumularam centenas de comentários de apoio à categoria em poucos minutos.

Até a última atualização, não havia registro de incidentes durante o protesto. A categoria sinalizou que pretende manter a mobilização até que haja diálogo com as plataformas e com o poder público.

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