Moradores e frequentadores de Garopaba realizaram um ato público na manhã deste sábado (11) contra a instalação de 32 postes de iluminação LED na faixa de areia da Praia Central. O grupo se concentrou na Avenida dos Pescadores, caminhou pela orla e formou uma corrente humana na beira do mar, com cartazes como “Iluminação? Não!!!”, “Poste não é natureza” e “Luz não”.
A obra, conduzida pela Prefeitura Municipal, tem custo estimado em R$ 800 mil e prevê contrato de manutenção por 25 anos. Conforme os manifestantes, o projeto começou a ser executado sem consulta à comunidade, sem audiência pública e sem a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), exigido por lei para intervenções em áreas costeiras.
Impacto ambiental é a principal preocupação
A luz artificial diretamente na faixa de areia pode causar danos graves à fauna costeira. Filhotes de tartaruga, ao nascer, se guiam pelo reflexo da lua no mar para encontrar o oceano. Com postes de LED acesos, ficam desorientados, seguem na direção errada e morrem. Fêmeas adultas também evitam desovar em praias iluminadas.
Garopaba é rota de baleias-franca, que passam pela região entre julho e novembro. A luz que penetra na água altera o comportamento de alimentação e navegação desses animais. Aves marinhas se desorientam, peixes e crustáceos têm o ciclo de alimentação comprometido e toda a cadeia ecológica costeira pode ser afetada.
Moradores questionam prioridades
Durante o protesto, moradores também questionaram as prioridades do município. Parte da população argumenta que Garopaba ainda enfrenta problemas com saneamento básico e que a praia já possui iluminação suficiente. Nas redes sociais, o tema gerou forte debate, com comentários pedindo que os recursos fossem direcionados para áreas mais urgentes.
Petição pede suspensão da obra
Uma petição online contra o projeto vem reunindo assinaturas. No documento, os organizadores pedem a suspensão imediata da obra, a realização de estudos ambientais, a abertura de processo participativo com a comunidade e a apuração da legalidade do licenciamento ambiental.
Até a última atualização, a Prefeitura de Garopaba não havia se manifestado publicamente sobre as reivindicações dos moradores. O caso segue em repercussão na cidade.

