Uma cidade de mais de 350 mil habitantes encravada entre morros e mata atlântica não tem como escapar: hora ou outra, um macaco, uma garça ou uma jiboia aparece no meio da rua. Blumenau decidiu parar de improvisar.
A Prefeitura, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), criou dois programas municipais para lidar com a fauna silvestre que divide espaço com os moradores. O primeiro cuida do resgate, reabilitação e soltura de animais vivos em risco. O segundo mapeia onde estão acontecendo mais atropelamentos e choques elétricos com bichos, formando um banco de dados para orientar leis e medidas preventivas.
Animais resgatados são encaminhados ao Hospital Veterinário da Universidade Regional de Blumenau, pelo programa SAASBLU. Os que não sobrevivem vão para estudo científico na própria universidade, aproveitando até a morte para gerar conhecimento.
“Blumenau é uma cidade cercada de verde e o convívio com a nossa fauna é constante. Com os novos programas, estamos tirando o cuidado animal do campo do improviso e transformando-o em uma política pública séria e estruturada. Queremos garantir que nossos animais silvestres recebam o atendimento adequado e que possamos, no futuro, reduzir acidentes com base em dados reais.”
Egidio Ferrari, prefeito de Blumenau
O secretário Robson Tomasoni afirmou que a estrutura tem “base técnica” e deve mostrar resultados em breve. Já o biólogo e coordenador técnico Jerriane Gomes destaca que a iniciativa torna o cuidado com os animais uma política pública permanente, garantindo mais organização e segurança técnica.
Como acionar o serviço
Quem encontrar um animal silvestre vivo em situação de risco pode mandar localização e foto para o WhatsApp (47) 99756-0821, apenas por mensagem, de segunda a sexta, das 7h às 16h. Fora desse horário, nos fins de semana e feriados, o atendimento fica com a Polícia Militar Ambiental e o Corpo de Bombeiros. Animal morto em via pública é caso para a Secretaria de Serviços Urbanos, pelo (47) 3381-6148.
O banco de dados de acidentes começa a ser construído agora. A Semmas prevê usar os registros para identificar os trechos mais perigosos da cidade e agir com mais precisão na proteção da fauna local.

