O Hospital Regional do Alto Vale, em Rio do Sul, viveu dias de pressão máxima na maternidade após um volume atípico de nascimentos. Em apenas quatro dias, 44 bebês vieram ao mundo, ocupando todos os leitos disponíveis e exigindo medidas emergenciais para manter o atendimento.
Acostumada a uma média de oito partos por dia, a equipe precisou lidar com cerca de 11 nascimentos diários entre quinta-feira e domingo. Para absorver a demanda, gestantes foram acomodadas em outros setores do hospital e cirurgias cesarianas eletivas precisaram ser reagendadas.
Segundo o diretor técnico da unidade, Marcelo Gambetta, parte do aumento estaria ligada à interrupção de atendimentos obstétricos em hospitais da região, como Presidente Getúlio e Taió. Ele citou o “fechamento dos atendimentos” como um dos fatores, mas não detalhou o que teria motivado a outra parcela da alta procura.
Em resposta, a Prefeitura de Taió negou qualquer fechamento do hospital municipal. Em nota, informou que o convênio para manutenção dos serviços de pronto-socorro, maternidade, internações, especialidades médicas e exames segue ativo, com repasses em dia. O município reconheceu, no entanto, dificuldades na contratação de profissionais, o que impacta a montagem das escalas médicas, cenário que não seria exclusivo da cidade.
Já em Presidente Getúlio, o atendimento a gestantes está suspenso desde meados do ano passado. O Hospital Maria Auxiliadora realizava apenas cesáreas previamente agendadas para pacientes com plano de saúde ou particulares. Com mudanças nas exigências legais e sem estrutura mínima exigida, como centro obstétrico completo e presença de obstetra, pediatra ou neonatologista e anestesiologista, os procedimentos foram interrompidos.
Atualmente, exceto em situações de urgência ou quando o parto normal está prestes a acontecer, gestantes de Presidente Getúlio são encaminhadas ao Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama. A direção da unidade informou que não há previsão de retomada do serviço obstétrico, citando os critérios mínimos estabelecidos pela legislação e a oferta regional já existente em hospitais de Ibirama, Rio do Sul, Ituporanga e Taió.
Após o pico registrado até domingo, o cenário no Hospital Regional foi considerado normalizado. Entre segunda e terça-feira, foram contabilizados 13 partos, número dentro da média habitual da instituição.

