A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, revelou mais do que um caso de maus-tratos. Testemunhas também passaram a ser alvo de ameaças e intimidações, supostamente praticadas por familiares dos adolescentes investigados.
Um dos episódios mais graves ocorreu na madrugada do dia 13 de janeiro. A vítima da vez foi um porteiro do condomínio Água Marinha, que, segundo testemunhas, foi confrontado pelo pai e pelo tio de dois dos adolescentes envolvidos no caso.
Segundo os relatos de quem presenciou a cena, o ambiente já era tenso dias antes da agressão ao animal, pois os adolescentes suspeitos pela morte brutal do cãozinho comunitário Orelha já vinham praticando arruaça, ofendendo a vizinhança e provocando desordem.
O pai de um dos adolescentes teria ido à portaria, acompanhado de um homem e de uma mulher. Durante a abordagem, o pai teria segurado firmemente o ombro do funcionário.
Nesse momento, um dos envolvidos deu um passo à frente e disparou:
“Tu sabe com quem tu tá falando?”
O porteiro teria tentado alcançar o celular no bolso para acionar a polícia, mas foi impedido com um gesto pelo mesmo homem. Ao notar um volume na cintura dele — compatível com o formato de uma arma —, o trabalhador correu para dentro do condomínio em busca de segurança.
A cena foi presenciada por um morador, que confirmou a atitude agressiva dos homens e o tom das ameaças. Também relatou que o homem de camisa verde teria dito a outro morador:
“Vou puxar a placa do teu carro, tu vai ver.”
Após o episódio, a síndica do condomínio ordenou folga ao funcionário, alegando preocupação com sua segurança. No dia seguinte, ele foi afastado de forma mais ampla, com concessão de “férias antecipadas”, justificando que havia repercussão e “gente grande” envolvida.
O silêncio que fala
O caso escancara o ambiente de medo que passou a cercar as testemunhas do caso Orelha. O porteiro ainda teria sido alvo de uma advertência interna — sob o argumento de que teria divulgado imagens da guarita.
A imagem que, mais tarde, vazou em grupos de moradores e posteriormente viralizou nas redes sociais.
Enquanto os adolescentes seguem protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, os adultos agora enfrentam apuração criminal.
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