4 meses antes da chacina em creche de Blumenau, assassino esfaqueou cachorro para se vingar de família

Share

O homem condenado a 220 anos de prisão por matar quatro crianças e ferir outras cinco na creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, foi condenado por mais um crime. Desta vez, ele recebeu uma pena de 3 anos de reclusão em regime fechado por maus-tratos a animais.

O crime aconteceu na madrugada de 3 de dezembro de 2022, quatro meses antes do ataque à creche, ocorrido em 5 de abril de 2023.

Cachorro esfaqueado por vingança

Conforme a denúncia da 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, o condenado se dirigiu à residência de uma família com quem mantinha desavenças e, com o intuito de se vingar, atraiu o cachorro até o portão e desferiu um golpe de faca na região do pescoço do animal.

A agressão causou uma lesão profunda e deixou o cão agonizando por horas durante a madrugada. O animal só não morreu porque foi socorrido pela tutora na manhã do mesmo dia e recebeu atendimento veterinário imediato.

Nova condenação

Segundo o promotor de Justiça Leonardo Todeschini, “a responsabilização criminal em casos de maus-tratos a animais reafirma o dever institucional de proteção aos seres sencientes e de repressão a condutas que evidenciem violência injustificada, especialmente quando praticadas com finalidade de intimidação ou retaliação a terceiros”.

Além da pena de prisão, o condenado deverá pagar multa e indenizar a tutora do animal. Foi fixado o valor de R$ 712 por danos materiais, referentes aos custos veterinários, e R$ 5 mil por danos morais.

Histórico de violência

O condenado já cumpre pena de 220 anos de reclusão pelo massacre na creche Cantinho Bom Pastor, no bairro Velha, em Blumenau. Em 5 de abril de 2023, armado com uma machadinha, ele invadiu a instituição e atacou crianças que brincavam no parquinho. Quatro crianças, com idades entre 4 e 7 anos, morreram. Outras cinco ficaram feridas.

O julgamento pelo ataque à creche aconteceu em agosto de 2024 e durou cerca de 11 horas. O Tribunal do Júri o condenou por quatro homicídios qualificados e cinco tentativas de homicídio qualificado, com qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

A nova condenação por maus-tratos a animais se soma à pena que ele já cumpre. A decisão é passível de recurso.

O Jornal Razão optou por não divulgar o nome nem a imagem do condenado sem censura. Especialistas em psicologia e segurança pública apontam que a exposição de autores de massacres pode inspirar novos ataques, funcionando como estímulo para indivíduos instáveis que buscam notoriedade. A decisão editorial segue recomendações de entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria e organismos internacionais de prevenção à violência.

Read more

Mais notícias da região