“Vamos embora, aqui não é lugar de ponto de encontro”: morador de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, filma vídeo expulsando homens da restinga da praia e a gravação viraliza nas redes sociais.
As imagens mostram o homem caminhando pela vegetação da praia e abordando pessoas que estavam escondidas no meio do mato. Em tom enérgico, ele determina que todos saiam do local e questiona a presença dos suspeitos na área.
“Aqui em Navegantes é assim, vai dar uma olhada na praia, olha o que acontece. Chega e sai gente da restinga, vem te manjando”, narra no início do vídeo. Em seguida, ele se aproxima dos homens que estavam na vegetação e dispara: “O que estão fazendo aí, rapaziada? Vamos embora. Aqui não é lugar de ponto de sexo não, rapaz.”
A gravação segue com o autor das imagens expulsando os abordados para fora da restinga. “Bora, bora, bora, vamos. Está pensando o que é aqui? É motel? O que estão fazendo aí?”, afirma ele. Em outro trecho, o morador aumenta o tom: “Aqui não é lugar de ponto de encontro não, estão pensando que é o quê? Zona? Bora, vamos.”
Restinga sob denúncia
A faixa de vegetação que separa a praia da área urbana de Navegantes é alvo de denúncias recorrentes nas redes sociais. Moradores afirmam que o local virou ponto de encontros sexuais anônimos, com fluxo intenso de pessoas entrando e saindo da mata em diferentes horários do dia.
Reportagem do portal ND Mais publicada nesta semana descreveu trilhas abertas dentro da vegetação, que permitem o acesso a áreas mais fechadas. Segundo a publicação, a própria mata cria espaços encobertos, com árvores altas e entrelaçadas, o que favorece a permanência de pessoas sem serem vistas. O texto também aponta a existência de páginas na internet que indicam a restinga de Navegantes como ponto de encontros sexuais anônimos.
Repercussão
Nos comentários do vídeo, moradores das proximidades relataram desconforto e cobraram providências do poder público. “Imagina pra nós mulheres que perdemos a liberdade de ir e vir. Caminhar na praia faz tempo que não vou”, escreveu uma seguidora. Outros pediram a retirada da vegetação ou rondas policiais frequentes na região.
Houve também quem criticasse a abordagem, apontando preconceito disfarçado de zelo público. “Não concordo realmente com isso. Porém, queria ver se fosse uma mulher, se ele não iria gostar também”, afirmou uma comentarista.
Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Navegantes, a Polícia Militar de Santa Catarina e a Polícia Civil não haviam se manifestado oficialmente sobre as denúncias na restinga. O caso segue repercutindo nas redes sociais.
