Tijucas tem 400 quilômetros de tubulação de água enterrada sob ruas e calçadas. Durante anos, quando um cano rompia no subsolo, não havia como saber, a água não subia à superfície. Escoa pelo lençol freático raso da cidade, entra nas galerias de drenagem pluvial e some. Sem poça, sem mancha, sem pista visível. O SAMAE (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) estima que entre 30% e 40% de toda a água tratada se perde antes de chegar às torneiras das 24 mil ligações do município.
Para mudar esse quadro, a autarquia contratou empresa especializada em detecção de perdas por sensor acústico com inteligência artificial. O equipamento é instalado diretamente na parede da tubulação e capta o padrão sonoro do fluxo de água. Um sistema de IA processa os dados e aponta onde há indício de vazamento oculto. Para garantir precisão, a equipe trabalha de madrugada, quando o consumo cai, o ruído da rede diminui e a leitura acústica fica mais limpa.

“O SAMAE tem equipe, material e equipamento para fazer o reparo. O que faltava era identificar o ponto exato”, explica Tiago Suckow, presidente da autarquia.
Os primeiros resultados já apareceram nesta quinta-feira (16). Na Rua Emília Ramos, a tecnologia localizou um vazamento em registro de uma das redes principais. A substituição foi realizada pela equipe do SAMAE. No mesmo período, outra intervenção foi executada na Avenida Coronel Buchele, em frente à concessionária Fiat, ponto também identificado pelo sistema de detecção acústica. As duas ações foram realizadas na mesma data, parte de uma varredura em andamento na rede.

A detecção de vazamentos ocultos é uma das frentes do programa de monitoramento que o SAMAE vem estruturando desde o final de 2025. A autarquia também opera 13 pontos de monitoramento de pressão em tempo real pela plataforma Vectora, com atualização a cada 30 minutos, e telemetria instalada em três reservatóriosAreias, Nova Descoberta e Bosque da Mata, permitindo acompanhar nível d’água e status de bombas remotamente.
O conjunto de ações responde a um diagnóstico identificado no início de 2025: o sistema operava sem automação, sem dados em tempo real e sem capacidade de antecipar falhas. Qualquer problema só era percebido depois da reclamação do morador.

A adutora principal da cidade acumulou 13 rompimentos entre janeiro e fevereiro de 2026, a maioria na Geral do Porto Itinga, via com tráfego pesado de caminhões. Em março de 2026, o SAMAE iniciou a substituição de 1,6 quilômetros da adutora, ampliando o diâmetro de 300 mm para 500 mm. A conclusão está prevista para o final de junho de 2026.
A varredura acústica na rede segue em andamento. Conforme os pontos suspeitos são confirmados, o SAMAE realiza a intervenção de reparo. A autarquia prevê também a instalação futura de macromedidores de vazão por bairro, o que permitirá identificar desvios de consumo por setor antes que o problema se manifeste.

