Tatu gigante pré-histórico deixou túnel de quase 26 metros enterrado no Sul de SC

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Pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) descobriram um túnel subterrâneo escavado por um tatu gigante que viveu há milhares de anos. A estrutura fica na localidade de Rio Amaral Gruta, no município de Lauro Müller, no Sul do estado, e foi batizada de paleotoca Amaral de Baixo.

Segundo o professor Jairo Valdati, coordenador do Laboratório de Geografia Física da Udesc, é a primeira vez que esse tipo de vestígio é registrado nesse conjunto de rochas e nessa região do relevo catarinense. A descoberta foi feita pela equipe do Grupo de Pesquisa BioGeo, ligado ao Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Udesc, em Florianópolis.

O que é uma paleotoca?

Paleotocas são túneis escavados por animais pré-históricos da família dos tatus, preguiças-gigantes e tamanduás. Esses animais viveram entre 2,58 milhões de anos atrás e o início da era atual, um período chamado de Quaternário. Os túneis serviam de abrigo contra o frio e contra predadores.

Hoje, esses vestígios são encontrados principalmente no Sul do Brasil e na Argentina. Em Santa Catarina, registros anteriores estavam espalhados por municípios do Vale do Itajaí, do Planalto Serrano, do Oeste e do Sul do estado.

Como é a paleotoca de Lauro Müller

A estrutura tem cerca de 25,9 metros de comprimento e uma ramificação interna. O formato é arredondado, o que é considerado padrão para esse tipo de cavidade. Nas paredes internas, é possível ver marcas de garras deixadas durante a escavação, o que levou os pesquisadores a concluir que o animal era, provavelmente, um tatu de grande porte já extinto.

A localização também chamou atenção: a toca fica em área elevada, perto de cursos d’água, o que é típico do comportamento de abrigo desses animais. O acesso ao local foi autorizado pelos proprietários da terra, Simone da Silva Cattaneo Bett e Sílvio Bett. O contato com a universidade foi feito por técnicos da Epagri, Paulo César Freiberger e Simone de Aguiar.

Por que a descoberta é importante

De acordo com os pesquisadores da Udesc, a nova paleotoca amplia o entendimento sobre onde esses animais viveram. Até agora, a maioria dos registros em Santa Catarina se concentrava na região do Geoparque Mundial da Unesco Caminhos dos Cânions do Sul. Encontrar uma toca em uma formação geológica diferente indica que esses animais habitavam áreas muito maiores do que se imaginava.

“Encontrar novos registros é fundamental para entender melhor a distribuição desses vestígios no território”, afirmou o professor Jairo Valdati.

Próximos passos

Os dados coletados em campo serão apresentados em outubro no 4º Encontro Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. A equipe também planeja usar a tecnologia Lidar (que mede distâncias com pulsos de luz) para criar modelos tridimensionais da paleotoca e aprofundar a análise da estrutura.

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