A comunidade do surf em Santa Catarina amanheceu em choque nesta terça feira com a notícia da morte de Andreas Eduardo de Almeida, o lendário Déia, aos 47 anos. O ex atleta, um dos maiores talentos já produzidos pelo Litoral Norte, não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e faleceu no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. A perda revive lembranças de uma trajetória que marcou gerações e ajudou a moldar o surfe catarinense como ele é hoje.
Nascido e criado em Balneário Piçarras, Déia descobriu cedo a relação que teria com o mar. Ainda adolescente, chamava atenção pela leitura de onda e por uma agressividade elegante que virou sua marca registrada. Nos anos 90 e 2000, enquanto o surfe brasileiro ganhava visibilidade, ele era um dos nomes que carregavam Santa Catarina para o topo.
O ápice veio em 1998, quando conquistou o vice campeonato catarinense. Quatro anos depois, em 2002, escreveu um dos capítulos mais fortes de sua carreira ao vencer a etapa do SuperSurf em Ubatuba, numa final que entrou para a memória dos fãs do esporte. Naquele mesmo ano, alcançou o Top 5 do Circuito Brasileiro, colocando de vez seu nome entre os principais surfistas do país.
Quem conviveu com ele sabe que as manobras eram só parte da história. Déia tinha carisma, generosidade e uma habilidade rara para inspirar. A molecada que sonhava com pranchas e patrocínios via nele uma referência próxima, alguém que falava olhando nos olhos e dividia o pouco que tinha. O legado que deixa vai muito além dos campeonatos, está nas vidas que tocou dentro e fora da água.

A Prefeitura de Balneário Piçarras lamentou publicamente a perda, ressaltando o impacto do surfista na identidade esportiva da cidade. Nas redes sociais, a WSL Brasil também homenageou o atleta, lembrando sua contribuição para o surfe nacional e sua importância na formação de novas gerações.
Amigos próximos, como João Carvalho, resumiram o sentimento de quem conviveu com ele por décadas. Segundo ele, Déia era daqueles que não apenas competiam, mas viviam o surfe como parte da alma.
A despedida repentina deixa um silêncio estranho nas praias onde ele cresceu. O mar segue rompendo na areia, mas quem acompanhou sua história sabe que uma das suas vozes mais fortes se calou. Fica a memória de um surfista completo, de um catarinense que ajudou a elevar o esporte, e de um homem que, com simplicidade e garra, conquistou seu espaço na história.
