Em apenas quatro dias, Santa Catarina registrou quatro casos de parada cardíaca relacionados à prática de exercícios físicos. Três deles terminaram em tragédia. Os episódios, ocorridos entre domingo (19) e quarta-feira (22), chamaram atenção até mesmo de médicos e profissionais do esporte.
O primeiro caso aconteceu em Chapecó, no Oeste. A empresária Camilla Angheben, de 36 anos, participava de uma prova de corrida quando sofreu uma parada cardíaca no domingo (19). Segundo familiares, ela apresentou um quadro de arritmia e acúmulo de líquido nos pulmões, o que dificultou a respiração. Camilla foi socorrida a tempo e segue em recuperação. Seu estado de saúde, conforme atualização divulgada na quarta-feira, é estável.
No mesmo dia, em Joinville, no Norte do Estado, o aluno do Exército Édson Macedo Júnior não teve a mesma sorte. Ele também participava de uma corrida quando desmaiou. O jovem chegou a ser atendido por médicos e enfermeiros dentro da unidade militar, mas não resistiu. O 62º Batalhão lamentou a morte e destacou que o militar recebeu socorro imediato.

Dois dias depois, a tragédia se repetiu em Florianópolis. Durante uma aula de dança no bairro Ingleses, Helizabete Pinheiro, de 50 anos, passou mal e sofreu uma parada cardíaca. O caso aconteceu dentro de uma academia. O Centro de Treinamento Engenharia do Corpo emitiu nota de pesar, informando que a causa da morte ainda está em investigação e expressando solidariedade aos familiares.

O quarto caso da sequência foi registrado em Schroeder, no Vale do Itapocu. O servidor público Luiz Fernando Conrado, de 46 anos, participava de um treino preparatório para os Jogos de Integração dos Servidores Públicos quando caiu desacordado logo após o início da atividade. Segundo o secretário de Saúde do município, Adrailton Levis Zuse, Luiz passou mal “com um minuto de jogo” e “nem chegou a tocar na bola”. A prefeitura divulgou nota destacando o comprometimento do servidor e manifestando pesar pela perda.

As quatro ocorrências em tão curto intervalo acenderam o alerta entre profissionais da saúde. O cardiologista Vinícius Dutra de Carvalho, ouvido pelo SCC10, explica que muitos problemas cardíacos são silenciosos e podem se manifestar durante atividades físicas intensas.
“O exercício é um agente de promoção de saúde, mas há pessoas com doenças não diagnosticadas que podem ter manifestações durante um esforço físico maior”, afirmou o médico. “Em pessoas com menos de 35 anos, as principais causas são doenças cardíacas congênitas e arritmogênicas.”
Segundo o especialista, a prevenção é o principal caminho. Ele recomenda avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade esportiva, especialmente em eventos de resistência ou alta intensidade.
“A progressão deve ser gradual. É fundamental respeitar o tempo de recuperação do corpo e não entrar em excesso de treinamento, que também eleva o risco de eventos cardíacos”, destacou.
O cardiologista também fez um alerta sobre o uso de anabolizantes, suplementos e esteróides para fins estéticos ou de performance.
“O uso dessas substâncias não é seguro e aumenta a chance de problemas cardiovasculares. Muitas vezes há contaminação e dosagens inadequadas. Na busca por um corpo ideal, as pessoas acabam se expondo a riscos sérios”, disse ao SCC10.
Os quatro casos revelam que, apesar dos benefícios do exercício físico, o preparo e o acompanhamento médico são indispensáveis. Para especialistas, a combinação de exames regulares, alimentação equilibrada e treino supervisionado é a melhor forma de garantir que o esporte continue sendo um aliado — e não uma ameaça — à saúde.
Com: SCC10 / Redação: Rubens Felipe (SCC)
