A história que comoveu o Litoral Norte de Santa Catarina ganhou um novo capítulo. Dona Seli Eger Hachmann, de 76 anos, moradora do bairro Nossa Senhora de Fátima, em Penha, vai ganhar uma casa nova e o filho, Leandro, conseguiu um emprego no Super Ferreira, depois que o supermercado conheceu o drama da família por meio da reportagem do Jornal Razão.
A obra da nova residência começa neste sábado, financiada por um empresário do ramo da pesca da própria cidade, que pediu para não ser identificado.
A vitória que veio depois da fé
A caminhada da família foi marcada por dificuldades, medo e incerteza. Mas também por solidariedade. Centenas de pessoas se mobilizaram após a divulgação do caso, e a corrente do bem ultrapassou fronteiras: as doações vieram de várias cidades de Santa Catarina, de outros estados e até de fora do país.
A vaquinha solidária superou a marca de R$ 30 mil, além de inúmeras contribuições com materiais de construção.
O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
A fé do filho que nunca deixou a mãe
Se dona Seli foi o rosto da fé que comoveu o Litoral Norte, Leandro foi o braço que sustentou a mãe em silêncio durante os dias mais duros. Mesmo afastado do trabalho há dois anos, sem o benefício do INSS e enfrentando um problema de coluna, o filho jamais deixou a mãe sozinha.
Foi ele quem dividiu a casa que ameaçava desabar a cada chuva, quem segurou a mão da idosa nas noites de chuva forte e quem, ao lado dela, fez da oração uma rotina. Leandro também é um homem de fé, e mesmo diante das dificuldades, manteve a confiança de que dias melhores chegariam.
Empresário anônimo banca a casa
Inicialmente, o valor arrecadado seria utilizado para a compra de uma casa pré-fabricada. Mas um gesto inesperado mudou o rumo da história. Um empresário de Penha, do ramo da pesca, entrou em contato com a reportagem e pediu para não ser identificado.
Sensibilizado com a situação, ele acionou uma construtora especializada em casas pré-fabricadas, comprou a residência e autorizou o início imediato da construção. Com isso, o dinheiro da vaquinha terá um novo destino: mobiliar a casa, comprar roupas, eletrodomésticos e garantir mais dignidade para a família.
Leandro consegue emprego no Super Ferreira
A vitória não veio sozinha. Depois que a reportagem chegou ao conhecimento do Super Ferreira, o supermercado decidiu oferecer uma oportunidade de trabalho a Leandro, em Penha.
Para a família, o emprego é mais do que uma fonte de renda: representa o reencontro com a dignidade e a resposta concreta a tantas orações feitas dentro de uma casa que ameaçava desabar. Leandro retoma a rotina de trabalho com a mesma fé que sustentou a mãe nos piores dias.
Entenda o caso
Dona Seli vivia em uma casa com risco de desabamento, próxima à Rodovia Paulo Stuart Wright, na variante de acesso à BR-101. A cada chuva, o desespero crescia: a água invadia o imóvel e comprometia ainda mais a estrutura.
Eu me ajoelho todos os dias e peço pra Deus dois quartinhos pra que não chova mais em cima de mim.
A frase, dita em entrevista, tocou milhares de pessoas e foi o estopim da mobilização que transformou a vida da família. Mesmo diante das dificuldades, mãe e filho nunca perderam a fé. Seli vive da aposentadoria, e Leandro busca o recomeço depois de dois anos afastado do trabalho por problemas de saúde.
“Que Deus abençoe cada pessoa”
Dona Seli e Leandro fizeram questão de agradecer a todos que contribuíram e seguem ajudando.
Que Deus abençoe cada pessoa que estendeu a mão pra gente.
A nova casa, segundo a família, não representa apenas um teto seguro: é a prova de que a solidariedade ainda é capaz de transformar vidas e de que, quando a fé é firme, a alegria sempre vem pela manhã.
