Postos do litoral de SC começam a ficar sem gasolina às vésperas da greve dos caminhoneiros

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Postos de combustíveis de Balneário Camboriú amanheceram nesta quarta-feira (18) com filas de motoristas e bombas vazias. A gasolina comum se esgotou logo nas primeiras horas do dia em estabelecimentos do bairro das Nações, e apenas a gasolina aditivada ainda estava disponível em alguns locais. A situação ocorre às vésperas do início oficial da greve nacional dos caminhoneiros, marcada para esta quinta-feira (19).

Conforme apurado, os postos da região operam com poucos frentistas e atendimento limitado diante da alta procura. Motoristas relataram que o desabastecimento não começou hoje. Desde terça-feira (17), já havia registro de falta de combustível em estabelecimentos da Quarta Avenida, em Balneário Camboriú.

Caminhoneiros do litoral de SC aderem à greve nacional

A escassez nas bombas é reflexo direto da mobilização dos caminhoneiros autônomos, que decidiram aderir ao movimento grevista nacional após assembleia realizada na terça-feira (17). Em Itajaí, motoristas se concentraram no posto Dalçoquio, no bairro Salseiros, onde a paralisação começou a ser articulada com apoio do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes (Sinditac) e da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC).

Segundo o presidente do Sinditac, Vanderlei de Oliveira, a adesão regional acompanha um movimento articulado em todo o país. A greve está prevista para começar oficialmente nesta quinta-feira (19), a partir das 13h, e deve ser integrada com outros polos portuários, incluindo Navegantes, Imbituba, Itapoá, Rio Grande, Paranaguá, Santos e Suape. A expectativa inicial é de adesão entre 60% e 70% da categoria na região.

Diesel acumula alta de quase 19% e categoria cobra reajuste do frete

A principal queixa dos caminhoneiros é o aumento do preço do diesel, que acumulou alta de 18,86% desde o final de fevereiro, impulsionado pela instabilidade no mercado internacional de petróleo em razão dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O preço médio do diesel em Santa Catarina, que era de R$ 6,11 antes da crise, saltou para R$ 6,69, segundo o levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A categoria cobra o acionamento do chamado “gatilho do frete”, mecanismo criado após a greve de 2018 que prevê reajustes automáticos nos valores pagos pelo transporte sempre que há aumento no combustível. Segundo os caminhoneiros, a medida não vem sendo aplicada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e há empresas pagando abaixo da tabela mínima do frete.

Rodovias federais seguem com fluxo normal em SC

Apesar da mobilização, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, até as 8h desta quarta-feira (18), todas as rodovias federais em Santa Catarina apresentavam fluxo normal. A PRF não foi oficialmente notificada sobre interrupções, mas monitora todos os cenários. As entidades que representam os caminhoneiros orientaram a categoria a não bloquear estradas para evitar multas, sugerindo que os motoristas fiquem parados em casa ou nos postos.

Procon notifica 128 postos e passa a fiscalizar preços diariamente

No âmbito da fiscalização, o Procon de Santa Catarina anunciou na terça-feira (17) que passará a acompanhar diariamente os preços dos combustíveis no estado. O órgão já notificou 128 postos por não repassarem a redução anunciada pela Petrobras em janeiro. Desses, 61 estabelecimentos terão cinco dias úteis para apresentar justificativas, sob pena de multa proporcional ao faturamento. A delegada Michele Alves, diretora do Procon Estadual, afirmou que não há, até o momento, risco de desabastecimento generalizado, mas reconheceu que distribuidoras estão vendendo volumes reduzidos aos postos como medida preventiva.

Reunião em Santos deve definir rumo da greve nacional

Uma reunião decisiva entre entidades que representam caminhoneiros de todo o país está marcada para as 15h desta quarta-feira (18), em Santos (SP). O encontro deve definir a adesão oficial de confederações nacionais ao movimento. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que havia sinalizado apoio à greve, recuou nesta quarta e aguarda o resultado da reunião para se posicionar.

A paralisação em Santa Catarina deve durar até que o Governo Federal realize um reajuste no piso nacional do frete. Caso não haja avanço nas negociações, a ANTC não descarta a ampliação do movimento. O caso segue em acompanhamento pelas forças de segurança e pelos órgãos de fiscalização do estado.

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