Aos 117 anos, Dona Ercília parte e deixa legado de gerações em SC: ‘foi feliz até o último instante’

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Chapecó se despediu neste domingo, 14 de setembro, de sua habitante mais longeva: Dona Ercília Gonçalves, que viveu incríveis 117 anos e 250 dias. Nascida em 1908, no que hoje é o bairro Passo dos Fortes, ela atravessou gerações, viu o mundo se transformar diante dos próprios olhos e deixou um legado marcado pela simplicidade e pela resiliência.

Conhecida pela força de espírito, Dona Ercília criou sozinha seus 11 filhos, acompanhou o crescimento de 15 netos e ainda chegou a conhecer um tataraneto. Apesar dos desafios de saúde nos últimos anos, manteve viva sua marca de alegria e disposição: gostava de dançar, se divertia nas rodas de conversa e até apreciava uma caipirinha, segundo familiares.

Raízes em Chapecó

Moradora do bairro Efapi, ela era uma figura querida na comunidade. Documentos como a certidão de nascimento comprovam a idade avançada e reforçam sua condição de supercentenária — ultrapassando até mesmo o recorde nacional validado oficialmente, que é de 116 anos e 349 dias.

Durante o centenário de Chapecó, em 2017, Dona Ercília foi homenageada pela Câmara de Vereadores, reconhecimento exibido com orgulho pela família. Em 2021, voltou a ganhar destaque ao ser registrada recebendo a vacina contra a Covid-19.

Testemunha da história

Nove anos mais velha que o próprio município de Chapecó, fundado em 1917, Dona Ercília viveu em um Brasil de expectativa de vida de apenas 33 anos. Cresceu em um tempo em que uma simples infecção podia ser fatal, já que os antibióticos ainda não existiam. Viveu a transição da luz do querosene para a energia elétrica, acompanhou o surgimento dos automóveis, da aviação comercial, da televisão, da internet e dos smartphones.

Foi testemunha de momentos que marcaram a humanidade, como a chegada do homem à Lua, e viu 29 presidentes passarem pela história do país, desde Afonso Pena até os dias atuais.

Nos últimos tempos, com a saúde debilitada, passou a depender inteiramente dos cuidados de familiares, recebendo deles o amparo que sempre ofereceu. Morreu de insuficiência cardíaca, cercada de carinho e de boas lembranças.

Ela foi muito guerreira, muito feliz. Vai deixar saudade, mas também um grande exemplo para todos nós”, disse uma vizinha próxima.

Legado

Mais do que a longevidade impressionante, Dona Ercília deixa à família e à comunidade chapecoense a lembrança de uma mulher batalhadora, de sorriso fácil, histórias vividas e ensinamentos transmitidos à mesa de casa. Um símbolo de força, resistência e amor familiar, que ficará para sempre na memória de Chapecó.

Com: DE CHAPECÓ

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