Após vídeo de ‘cocô jorrando’ para o mar, população de Bombinhas protesta contra a Aegea

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A semana começou com protesto em Bombinhas, no Litoral de Santa Catarina. Na manhã desta segunda-feira (12), moradores e representantes de associações se reuniram em frente à sede da Águas de Bombinhas (Aegea), para cobrar soluções imediatas diante do avanço do esgoto nas praias do município, em plena alta temporada.

O ato foi motivado por novos registros de água escura, com aparência e odor de esgoto, correndo diretamente para o mar. Na Praia de Quatro Ilhas, vídeos gravados por moradores mostram o escoamento visível pela areia até o oceano. As imagens circularam nas redes sociais e intensificaram a revolta da população.

“Não adianta ter praia cheia de guarda-sol com esgoto correndo na areia”, afirmou uma das manifestantes durante o protesto. Em outro momento, a cobrança foi direta: “A gente só quer que o contrato bilionário seja cumprido. Esgoto na praia não dá mais!”.

Os dados oficiais reforçam a denúncia. Monitoramentos do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina apontam níveis extremamente elevados de coliformes fecais em pontos de Bombinhas. Pela legislação, um local já é considerado impróprio quando ultrapassa 800 Escherichia coli por 100 ml. No município, medições recentes registraram 5 mil, 8 mil e até mais de 24 mil coliformes fecais em uma única amostra.

“O que estão chamando de água da chuva é esgoto!”, disse outra moradora durante a manifestação. Segundo ela, a situação se agravou neste verão e atinge não apenas Quatro Ilhas, mas também outros pontos da cidade.

O relatório oficial da temporada 2025/2026 classifica como impróprios para banho trechos das praias de Bombas, Praia de Bombinhas, Morrinhos, Zimbros e Canto Grande Mar de Fora. Em alguns locais, a mudança de próprio para impróprio ocorreu de uma semana para outra, com explosão nos índices de contaminação.

Além da questão ambiental, moradores relatam impactos diretos na saúde. “Bastou um mergulho para meu filho passar dois dias vomitando e com diarreia”, relatou um turista nas redes sociais. Outros comentários citam viroses, cancelamento de passeios e desistência de futuras viagens à cidade.

Durante o protesto, também houve críticas às taxas e tarifas cobradas, inclusive de moradores que não possuem ligação à rede de esgoto. “Tem gente pagando taxa sem ter esgoto em casa, enquanto o esgoto vai parar na praia”, afirmou uma representante da comunidade.

Segundo os organizadores, a concessionária foi procurada para prestar esclarecimentos, mas não concedeu entrevista no momento da manifestação. O ato foi descrito como pacífico e teve como foco central a cobrança por saneamento efetivo e respeito à população. O prefeito Alexandre Silva (PSD) ainda não se pronunciou sobre a crise na cidade.

O protesto desta segunda-feira marca o início de mais uma semana de pressão sobre o poder público e a concessionária, em uma cidade que cobra Taxa de Preservação Ambiental, mas enfrenta denúncias recorrentes de esgoto no mar em plena temporada de verão.

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